Um mecanismo etiológico comum para doenças neurodegenerativas é a expansão de trinucleotídeos. Sobre a doença de Huntington, em que se dá a expansão da repetição CAG no gene da huntingtina – gene HTT, analise as afirmativas a seguir. I. A coreia é apresentação essencial para o diagnóstico. II. O fenômeno de antecipação ocorre predominantemente na linha paterna. III. Para o diagnóstico da Doença de Huntington, podemos solicitar o sequenciamento do gene HTT por sequenciamento gênico de nova geração. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
Errada, porque a coreia é comum em Huntington, mas não é essencial nem obrigatória para o diagnóstico.
- B)II, somente.
Certa, porque a antecipação ocorre predominantemente pela transmissão paterna na expansão CAG do gene HTT.
- C)III, somente.
Errada, porque o diagnóstico molecular da expansão CAG não é feito, em regra, por NGS de rotina.
- D)I e II, somente.
Errada, porque a afirmativa I está incorreta; a coreia não é requisito obrigatório da doença.
- E)I e III, somente.
Errada, porque a afirmativa III está incorreta; o teste genético adequado não é o sequenciamento por NGS para essa repetição.
Gabarito: B
A Doença de Huntington é uma enfermidade neurodegenerativa autossômica dominante causada pela expansão de repetições CAG no gene HTT. O quadro clássico lembra bastante a coreia, com movimentos involuntários, alterações psiquiátricas e declínio cognitivo, mas a doença não precisa começar com coreia para existir. Em outras palavras: coreia é muito comum, porém não é um requisito obrigatório para o diagnóstico clínico. A antecipação genética é uma marca importante das doenças por expansão de trinucleotídeos. Na Doença de Huntington, ela ocorre mais frequentemente pela linhagem paterna, porque a expansão tende a aumentar durante a espermatogênese. Por isso, em algumas famílias, a doença aparece mais cedo e mais grave nas gerações seguintes. A banca adora esse detalhe porque ele é clássico e bem cobrável. Quanto ao exame, o diagnóstico molecular de Huntington não é feito, em regra, por sequenciamento gênico de nova geração para procurar a repetição expandida. O teste mais útil é a análise do número de repetições CAG por métodos específicos, como PCR com fragment analysis, e em alguns casos Southern blot ou técnicas equivalentes. Sequenciamento convencional pode até ser ótimo para muita coisa, mas para expansão de repetição ele costuma falhar na parte principal do problema. Assim, a afirmativa II está correta, e isso justifica o gabarito B. A I é inadequada porque coreia não é indispensável, e a III está errada porque NGS não é o exame de escolha para detectar essa expansão repetitiva.