Paciente portadora de retocolite ulcerativa há 15 anos, em uso irregular de imunobiógicos, corticosteroides e azatioprina, procura a emergência com queixa de fadiga intensa, emagrecimento, icterícia com colúria. Está em atividade de doença com diarreia sero-sanguinolenta. Sobre esse caso, assinale a opção que indica a complicação clínica mais provável.
- A)Coledocolitíase.
Coledocolitíase pode causar icterícia e colúria, mas não é a complicação clássica esperada em portadora de retocolite ulcerativa crônica.
- B)Abcesso hepático.
Abscesso hepático costuma cursar com febre, dor em hipocôndrio direito e sinais infecciosos, o que não é o padrão mais provável aqui.
- C)Colangite esclerosante primária.
Correta, pois retocolite ulcerativa de longa data se associa classicamente à colangite esclerosante primária, que causa colestase, icterícia e colúria.
- D)Anemia hemolítica.
Anemia hemolítica pode causar icterícia, mas não explica colúria e não é a complicação hepatobiliar típica da retocolite.
- E)Granuloma hepático.
Granuloma hepático não é a associação clássica da retocolite ulcerativa e não é a melhor explicação para esse quadro colestático.
Gabarito: C
A retocolite ulcerativa de longa data não afeta só o intestino: ela também pode vir acompanhada de doença hepatobiliar, e a mais clássica é a colangite esclerosante primária. O quadro costuma aparecer em pacientes com doença inflamatória intestinal, especialmente retocolite, e pode dar fadiga, perda de peso, icterícia e colúria, exatamente como no caso. É uma doença progressiva dos ductos biliares, com inflamação e fibrose, levando a colestase e, com o tempo, risco aumentado de colangiocarcinoma. Aqui, o detalhe que entrega a questão é a combinação de retocolite ulcerativa há anos + icterícia colestática. Em vez de pensar primeiro em problema biliar comum, como pedra no colédoco, a banca quer a associação clássica entre doença inflamatória intestinal e colangite esclerosante primária. Esse é um achado bem conhecido em gastroenterologia e aparece com frequência em provas. Na prática, o quadro sugere elevação de marcadores colestáticos, como fosfatase alcalina e gama-GT, e a colangiografia por ressonância pode mostrar estenoses e dilatações segmentares, o famoso aspecto em 'contas de rosário'. O tratamento é limitado e muitas vezes envolve controle de sintomas e seguimento especializado, porque a doença pode evoluir apesar da terapêutica clínica. Então, para matar a questão: em paciente com retocolite ulcerativa crônica, icterícia e colúria, a complicação mais provável é a colangite esclerosante primária. É a associação de livro-texto, o tipo de conexão que a FGV adora cobrar com cara de caso clínico.