Sobre pacientes com doença renal crônica em tratamento conservador (não dialítico), analise as afirmativas a seguir. I. Aminoglicosídeos e anti-inflamatórios não esteroides devem ser evitados. II. Inibidores da ECA e bloqueadores do receptor de angiotensina estão contraindicados. III. O hemograma completo habitualmente mostra anemia normocítica normocrômica. Está correto o que se afirma em:
- A)somente I;
A alternativa reúne apenas a orientação de evitar aminoglicosídeos e anti-inflamatórios não esteroides. Essa cautela faz sentido na doença renal crônica porque ambos podem piorar a função renal, seja por nefrotoxicidade direta, seja por redução da perfusão glomerular. O problema é que o enunciado também traz a anemia normocítica normocrômica como achado habitual, e isso também é verdadeiro na DRC por deficiência de eritropoietina.
- B)somente I e II;
Aqui se afirma que, além de evitar aminoglicosídeos e AINEs, os inibidores da ECA e os bloqueadores do receptor de angiotensina estariam contraindicados. Isso não é regra geral: na DRC, esses fármacos são frequentemente usados, sobretudo em hipertensão e proteinúria, com monitorização de creatinina e potássio, e só exigem cautela ou suspensão em situações específicas, como hiperpotassemia importante, estenose bilateral de artéria renal ou gestação. A proposta também ignora que a anemia normocítica normocrômica é um achado típico da DRC, o que enfraquece ainda mais a combinação.
- C)somente I e III;
A alternativa combina a recomendação de evitar aminoglicosídeos e AINEs com a descrição de anemia normocítica normocrômica no hemograma. Ambas as ideias são compatíveis com a doença renal crônica em tratamento conservador: os primeiros podem agravar a lesão renal, e a anemia costuma ser normocítica e normocrômica por redução da produção de eritropoietina. Como a afirmação sobre IECA e BRA como contraindicação absoluta não procede, selecionar apenas I e III é a leitura correta.
- D)somente II e III;
Esta opção aceita como verdadeiras as proposições sobre IECA/BRA e sobre a anemia, mas deixa de incluir a orientação de evitar aminoglicosídeos e AINEs. O ponto central do erro está na proposição II: esses medicamentos não são contraindicados de forma absoluta na DRC e, em muitos casos, fazem parte do tratamento, desde que haja controle laboratorial. Sem a afirmativa I e com a presença da II, a combinação não corresponde ao quadro clínico descrito.
- E)I, II e III.
A alternativa sustenta que as três proposições estão corretas. Embora seja verdadeiro que aminoglicosídeos e AINEs devem ser evitados e que o hemograma costuma mostrar anemia normocítica normocrômica na DRC, a ideia de contraindicação absoluta dos IECA e BRA está errada. Esses fármacos são amplamente utilizados no manejo conservador da doença renal crônica, com vigilância de função renal e potássio, e não devem ser descartados em bloco.
Gabarito: C
Na doença renal crônica em tratamento conservador, a ideia é poupar o rim do que agride e tratar as complicações que vão aparecendo. Por isso, medicamentos nefrotóxicos como aminoglicosídeos e anti-inflamatórios não esteroides devem ser evitados, porque podem piorar a função renal de forma importante. O rim já está cansado; não vale pedir que ele faça hora extra com remédio agressivo. Outro ponto clássico é que os inibidores da ECA e os bloqueadores do receptor de angiotensina não são, em regra, contraindicados. Pelo contrário, eles costumam ser úteis na doença renal crônica, especialmente se houver proteinúria, pois ajudam a reduzir a progressão da nefropatia. Claro, precisam de vigilância para creatinina e potássio, mas isso é cuidado, não veto. No hemograma, o achado mais típico é anemia normocítica normocrômica, geralmente por کاهش da produção de eritropoetina pelo rim doente. Então a afirmativa III está correta também. Juntando tudo: I e III estão certas, e a II está errada, o que leva ao gabarito C. Em prova, lembre-se: na DRC conservadora, a banca gosta de cobrar duas coisas ao mesmo tempo, proteção renal e anemia de doença renal crônica. Quem confunde "usar com cautela" com "proibido" costuma cair na armadilha.