Um menino de 2 anos é encaminhado ao ambulatório para investigação de episódios recorrentes de otite média (4 no último ano), 2 episódios de pneumonia com 9 meses e 1 ano com tratamento hospitalar, além de rinite e dermatite atópica. O pediatra solicitou dosagem de imunoglobulinas séricas que mostrou os seguintes resultados: IgA: 6 mg/dL (33 a 308), IgG; 1250 mg/dL (630 a 2000), IgM: 114 mg/dL (24 a 276) e IgE (menor que 60). Assinale a opção que indica o diagnóstico provável.
- A)Trata-se de uma criança com Imunodeficiência comum variável, com valores de IgG e IgA abaixo dos valores de referência e com infecções de repetição
Errada, porque imunodeficiência comum variável costuma cursar com queda de IgG e de pelo menos outra classe de imunoglobulina, o que não aconteceu aqui.
- B)Trata-se de uma criança atópica, com imaturidade imunológica, não sendo adequado utilizar o tratamento de “deficiência de IgA “’
Errada, porque o quadro não se explica apenas por atopia e a IgA muito baixa exige investigação, não sendo correto tratar como simples imaturidade sem acompanhar.
- C)Trata-se de uma criança com deficiência transitória de IgA, com resolução espontânea e obrigatória aos 4 anos de idade
Errada, porque deficiência transitória de IgA não é definida como resolução obrigatória aos 4 anos; além disso, aos 2 anos ainda não é possível fechar essa classificação.
- D)Trata-se de deficiência seletiva de IgA, que acompanhará esta criança por toda vida
Errada, porque deficiência seletiva de IgA só pode ser diagnosticada com segurança após os 4 anos, então aos 2 anos ainda não se pode afirmar que será permanente.
- E)Trata-se de deficiência de IgA, que só poderá ser definida como transitória ou seletiva depois de 4 anos de idade
Certa, porque em menores de 4 anos a baixa de IgA ainda pode ser transitória ou própria da imaturidade imunológica, e a distinção só pode ser feita após essa idade.
Gabarito: E
Esse caso gira em torno de uma ideia simples, mas muito cobrada: em crianças pequenas, a IgA ainda pode estar baixa por imaturidade do sistema imune, e isso impede que você feche o diagnóstico de deficiência seletiva de IgA antes dos 4 anos. Em outras palavras, abaixo dessa idade, um resultado baixo de IgA pode ser apenas uma fase do desenvolvimento, e não uma imunodeficiência definitiva. A criança do enunciado tem infecções de repetição, mas o exame não mostra uma pancada global nas imunoglobulinas. A IgG está normal, a IgM está normal e apenas a IgA veio bem reduzida. Esse padrão chama atenção para deficiência de IgA, mas ainda não permite dizer se ela é transitória ou seletiva, porque essa distinção só fica confiável depois dos 4 anos de idade. Por isso, a melhor leitura é: trata-se de uma deficiência de IgA que, nesta idade, ainda não pode ser classificada como transitória ou seletiva. Esse é exatamente o ponto cobrado pela alternativa correta. A criança merece seguimento clínico e imunológico, em vez de carimbar o diagnóstico cedo demais. Em provas, lembre do macete: IgA baixa em menor de 4 anos pede cautela. Antes dessa idade, o sistema imune ainda está amadurecendo, então a banca gosta de testar se você sabe evitar o diagnóstico precoce e definitivo.