Um menino de 7 anos, residente no Brasil, apresentou início abrupto de febre alta, acompanhada de cefaleia ora frontal ora retro-orbital, e dor intensa na região dorsal. Nas primeiras 24 horas de febre, surgiu rash macular que desaparecia à digitopressão, generalizado, e que não durou mais de 48 horas. Evoluiu com mialgia e artralgia de intensidade progressiva. No terceiro e no quarto dia de febre apresentou náusea e 1 episódio de vômito, e iniciou linfadenomegalia generalizada, hiperestesia cutânea, paladar aberrante e anorexia. Após alguns dias do quadro descrito, a febre cedeu. 1 a 2 dias após a defervescência surgiu rash morbiliforme maculopapular generalizado, mas que poupava a palma da mão e a planta do pé, acompanhado de febre baixa, tendo durado 3 dias. Após o quadro descrito, tendo sido medicado ambulatorialmente com sintomáticos, o menino evoluiu para cura completa. Houve a ocorrência de outros casos no bairro onde habita e uma epidemia no país. O quadro clínico descrito é típico de
- A)zika.
Zika costuma ter quadro mais brando, com exantema pruriginoso e conjuntivite, e não explica tão bem a febre alta com dor retro-orbitária e mialgia intensa.
- B)gripe.
Gripe pode causar febre e mialgia, mas não costuma dar o padrão clássico de rash, dor retro-orbital e evolução em fases como no enunciado.
- C)dengue.
Correta: o conjunto de febre alta, cefaleia retro-orbitária, mialgia, artralgia, rash bifásico e contexto epidêmico é típico de dengue.
- D)sarampo.
Sarampo dá febre, tosse, coriza, conjuntivite e exantema, mas o padrão descrito, sobretudo a dor retro-orbital e as manifestações de arbovirose, aponta para outra doença.
- E)chicungunha.
Chicungunha dá febre e artralgia muito marcante, mas o exantema e a cefaleia retro-orbitária com padrão epidêmico descritos favorecem dengue.
Gabarito: C
Esse quadro é muito compatível com dengue, especialmente pela combinação de febre alta de início súbito, cefaleia, dor retro-orbital, mialgia intensa e exantema em fases diferentes da doença. Em prova, quando aparecem dor no fundo dos olhos, dores no corpo, rash que vai e volta e contexto epidêmico no Brasil, a banca está praticamente apontando o mosquito com uma lanterna acesa. A dengue costuma começar com febre alta, cefaleia, dor retro-orbitária, mialgia, artralgia, náusea, vômitos e mal-estar. Também podem ocorrer linfadenomegalia, hiperestesia cutânea, inapetência e exantema. O rash pode surgir cedo, ser macular e desaparecer à digitopressão, e depois aparecer outro exantema mais morbiliforme na fase de defervescência, o que confunde quem tenta encaixar o caso em uma virose genérica. O ponto decisivo aqui é o conjunto: febre alta abrupta, dor retro-orbitária, mialgia/artralgia, rash bifásico e surto no bairro e no país. Isso é descrição clássica de dengue, doença viral transmitida por Aedes aegypti, frequente em epidemias urbanas no Brasil. As outras alternativas não encaixam tão bem porque sarampo, gripe, zika e chikungunha têm padrões clínicos diferentes. O enunciado foi montado para valorizar a apresentação típica de dengue não complicada, que pode evoluir para cura com tratamento sintomático, como ocorreu no caso.