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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente com 60 anos de idade, do sexo masculino, queixa-se de episódios de hematoquezia. A avaliação pelo proctologista evidenciou pólipo retal distando 5 cm da margem anal ao toque retal. Trata-se de paciente com fibrilação atrial não valvular em uso de apixaban há 2 anos, sem outras condições mórbidas associadas. O paciente será submetido a colonoscopia com vistas à ressecção da lesão retal. - Assinale a conduta correta para o manejo da anticoagulação periprocedimento.

Gabarito: B

Em procedimentos endoscópicos com risco de sangramento, como a ressecção de pólipo, o ponto central é equilibrar sangramento e trombose. Como o paciente usa apixabana, um anticoagulante oral direto (DOAC), a conduta usual não é fazer ponte com heparina: esses medicamentos têm meia-vida curta e a interrupção programada costuma ser suficiente. Para uma colonoscopia com ressecção de lesão, o procedimento é de maior risco hemorrágico do que uma colonoscopia diagnóstica simples. Por isso, em paciente com função renal preservada, a apixabana deve ser suspensa cerca de 48 horas antes. Esse intervalo permite queda adequada do efeito anticoagulante sem expor o paciente a um jejum terapêutico excessivo. Depois do procedimento, a reintrodução depende da segurança hemostática. Em geral, retoma-se em 24 a 48 horas, se não houver sangramento e se a hemostasia estiver adequada. Isso é o que torna a alternativa B correta: suspende no tempo certo e retoma no intervalo apropriado, sem exageros nem inventar moda com ponte heparínica. Um detalhe importante: INR não serve para monitorar apixabana, porque esse exame avalia principalmente varfarina. Então, na hora da prova, desconfie sempre de alternativas que tentem tratar DOAC como se fosse cumarínico. As diretrizes gastroenterológicas e de trombose seguem essa linha: interrupção breve, sem ponte na maioria dos casos, e reinício após hemostasia.

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