Paciente feminina, 75 anos, sem comprometimento cognitivo sofreu queda da própria altura, contundindo a região cefálica. Após três semanas do trauma estava sonolenta, confusa, com fala desconexa há, aproximadamente, 48 horas. Os exames de análises clínicas não revelaram sinais sugestivos de infecção, distúrbio hidroeletrolítico ou metabólico. Não estava em uso de nenhum fármaco que pudesse ser responsabilizado por tais manifestações. Assinale a opção que indica a hipótese diagnóstica mais provável.
- A)Ataque isquêmico transitório.
Errada, porque ataque isquêmico transitório tem início súbito e melhora em até 24 horas, sem relação típica com trauma semanas antes.
- B)Metástase cerebral.
Errada, porque metástase cerebral não costuma surgir com essa cronologia pós-trauma e o quadro é menos sugestivo de sangramento subagudo.
- C)Encefalopatia hepática.
Errada, porque a avaliação laboratorial não mostrou sinais de encefalopatia hepática e não há contexto clínico de doença hepática.
- D)Glioblastoma multiforme.
Errada, porque glioblastoma multiforme é um tumor primário agressivo, mas não explica tão bem a piora subaguda após queda craniana.
- E)Hematoma subdural.
Certa, porque o quadro de idosa com trauma craniano há semanas e rebaixamento progressivo da consciência é muito sugestivo de hematoma subdural subagudo.
Gabarito: E
Em idoso, uma queda aparentemente simples pode esconder uma complicação neurológica que aparece de forma lenta e traiçoeira. Quando o quadro surge dias ou semanas depois do trauma, com sonolência, confusão e alteração da fala, a primeira suspeita forte é um sangramento que foi aumentando devagar dentro da caixa craniana. É o tipo de história em que o trauma foi há semanas, mas os sintomas “acordam” agora, como se o cérebro estivesse sendo comprimido aos poucos. O hematoma subdural é típico desse cenário, especialmente em idosos, porque o envelhecimento do cérebro estira as veias ponte, que ficam mais vulneráveis a romper mesmo após trauma de baixa energia. O sangue se acumula entre a dura-máter e a aracnoide e pode levar a rebaixamento do nível de consciência, confusão e déficit focal ou fala desconexa. A evolução subaguda, em cerca de dias a semanas, é uma pista clássica. As alternativas com causas metabólicas ou tóxico-infecciosas não combinam com o enunciado, porque os exames não mostraram infecção, distúrbios hidroeletrolíticos ou metabólicos, e não havia uso de fármacos suspeitos. Também não parece um evento vascular transitório, que costuma ser de início abrupto e reversão rápida, nem um tumor primário ou metástase, que em geral não tem essa relação temporal tão marcada com trauma recente. Em prova, pense assim: idoso + trauma craniano aparentemente banal + piora neurológica tardia = hematoma subdural até prova em contrário. É uma associação muito cobrada em neurologia e pronto-socorro, porque o tempo entre a queda e a piora é a pista de ouro.