Um ensaio clínico randomizado comparou cefalexina e amoxicilina para infecções de vias aéreas superiores, encontrando uma diferença a favor da cefalexina com um valor de p = 0,03. Com um pressuposto de que o efeito dos medicamentos é semelhante, este seria um exemplo de
- A)erro tipo II.
Errada, porque erro tipo II é falso negativo, ou seja, deixar de detectar uma diferença que realmente existe.
- B)viés.
Errada, porque viés é erro sistemático do estudo e não descreve a interpretação de um p significativo sob hipótese nula verdadeira.
- C)fatores de confusão.
Errada, porque fatores de confusão alteram a associação observada entre exposição e desfecho, não o conceito de erro de hipótese do teste.
- D)erro tipo I.
Certa, porque p = 0,03 indica rejeição da hipótese nula e, se o efeito era realmente semelhante, isso configura falso positivo, isto é, erro tipo I.
- E)falha na randomização.
Errada, porque falha na randomização pode gerar desequilíbrio entre grupos, mas não é o nome do evento estatístico descrito no enunciado.
Gabarito: D
Em ensaios clínicos, o valor de p ajuda a dizer se a diferença observada pode ter acontecido por acaso, assumindo que a hipótese nula seja verdadeira. Aqui, o pressuposto do enunciado é que os dois medicamentos têm efeito semelhante. Nesse cenário, encontrar p = 0,03 significa que há uma diferença estatisticamente significativa a favor da cefalexina, mas ela pode ter surgido mesmo sem diferença real entre os remédios. Isso é exatamente a ideia de erro tipo I: rejeitar a hipótese nula quando ela era verdadeira. Pense assim: o estudo encontrou um resultado que parece “decisivo”, mas o ponto de partida era que não havia diferença. Se essa igualdade de efeito fosse realmente verdadeira, um p menor que 0,05 indica que o achado é improvável, porém ainda possível por flutuação amostral. Em prova, quando o enunciado destaca esse pressuposto e mostra um p significativo, a banca quer que você identifique a possibilidade de falso positivo. Já o erro tipo II seria o contrário: não perceber uma diferença que de fato existe. Viés e confusão também são outras histórias, ligadas a erro sistemático no desenho ou na análise, e não ao raciocínio clássico do teste de hipótese mostrado aqui. Por isso, o gabarito é a letra D.