Em relação à Esofagite Eosinofílica (EoE), é correto afirmar que
- A)os corticoesteroides sistêmicos são a primeira escolha de tratamento já em estágios iniciais da doença.
Errada: corticoesteroides sistêmicos não são a primeira escolha, pois o tratamento inicial costuma priorizar dieta, IBP e corticoide tópico deglutido.
- B)a presença de estriais verticais e anéis transitórios são sinais endoscópicos que sugerem um perfil fibroestenótico pela Escala de Referência Endoscópica para EoE.
Errada: anéis e sulcos verticais sugerem EoE, mas a classificação endoscópica não define sozinho um perfil fibroestenótico nem confirma o diagnóstico.
- C)o diagnóstico é confirmado pela contagem ≥15 eosinófilos / campo de grande aumento à biópsia, ao se excluir outras causas de eosinofilia esofágica.
Certa: o diagnóstico exige biópsia com pelo menos 15 eosinófilos por campo de grande aumento, após excluir outras causas de eosinofilia esofágica.
- D)a minoria dos pacientes responde à dieta elementar com fórmulas de aminoácidos.
Errada: a dieta elementar com fórmulas de aminoácidos é uma das estratégias com maior taxa de resposta, embora seja menos prática e mais restritiva.
- E)o diagnóstico diferencial entre EoE e Doença do Refluxo Gastroesofágico é feito por meio da anamnese e do exame físico.
Errada: o diagnóstico diferencial entre EoE e DRGE não é feito apenas por anamnese e exame físico; endoscopia e biópsia são fundamentais.
Gabarito: C
A Esofagite Eosinofílica (EoE) é uma doença inflamatória crônica do esôfago, muito ligada a alergia e a sintomas como disfagia, impactação alimentar e dor torácica. Na prática, o diagnóstico não é feito só pela aparência do esôfago: ele depende da combinação entre clínica, endoscopia e, principalmente, biópsia. E aqui mora o ponto que a banca gosta de cobrar: é preciso encontrar infiltração eosinofílica significativa no tecido esofágico e excluir outras causas de eosinofilia esofágica. Por isso, o gabarito é a letra C. O critério clássico aceito é a presença de pelo menos 15 eosinófilos por campo de grande aumento na biópsia, associada à exclusão de diagnósticos alternativos, como refluxo gastroesofágico, infecções, doença de Crohn e outras condições que podem elevar eosinófilos no esôfago. Em diretrizes atuais, a ideia central continua a mesma: histologia compatível + quadro clínico + exclusão de outras causas. A endoscopia pode mostrar anéis, sulcos longitudinais, exsudatos e edema, mas esses achados não fecham diagnóstico sozinhos. Eles ajudam a suspeitar e a orientar a coleta de fragmentos, porque a doença pode ser irregular e a biópsia precisa ser bem feita. Em outras palavras: o esôfago pode até “dar pista”, mas quem entrega o caso é o microscópio. No tratamento, costumam entrar inibidor de bomba de prótons, corticoide tópico deglutido e dieta de exclusão, reservando medidas sistêmicas ou dilatação para situações específicas. Então, se a questão tentar fazer você diagnosticar EoE só pela anamnese, endoscopia ou resposta ao refluxo, desconfie: o exame anatomopatológico é o protagonista.