Paciente de 2 anos, com má formação de trato urinário, que faz uso de profilaxia com Cefalexina para ITU de repetição, encontrase internado em uso de ceftriaxona há 3 dias e apresenta piora clínica, com sinais de desidratação, taquicardia e taquipneia. A cultura de urina coletada antes do início do tratamento teve crescimento de E. coli, ainda sem antibiograma. Em relação à antibioticoterapia adequada no momento, assinale a afirmativa correta.
- A)Manter ceftriaxona e aguardar o resultado do antibiograma.
Errada, porque a piora clínica após 3 dias de ceftriaxona sugere falha terapêutica e não é prudente apenas aguardar o antibiograma.
- B)Trocar Cefitriaxona para Meropenem.
Certa, pois há ITU complicada com suspeita de resistência em paciente piorando, e o meropenem é cobertura adequada para E. coli resistente, inclusive ESBL.
- C)Trocar ceftriaxona para Ciprofloxacina.
Errada, porque ciprofloxacina não é a melhor escolha empírica nesse quadro pediátrico complicado e ainda pode não cobrir resistência esperada.
- D)Manter ceftriaxona e associar gentamicina.
Errada, porque associar gentamicina sem trocar o esquema não resolve a provável falha por resistência e ainda aumenta toxicidade desnecessária.
- E)Trocar Ceftriaxona para Cefepima.
Errada, porque cefepima pode ampliar cobertura, mas não é a melhor aposta quando há forte suspeita de enterobactéria produtora de ESBL em paciente com piora clínica.
Gabarito: B
Em criança com malformação do trato urinário e ITU de repetição, você já deve acender a luz amarela para bactéria resistente, principalmente quando a evolução clínica piora mesmo com ceftriaxona. Nesse cenário, não basta "esperar o antibiograma" se o paciente está com sinais de gravidade e falha terapêutica: é preciso ampliar cobertura de forma empírica enquanto se reavalia foco, hidratação e gravidade clínica. A cultura já mostrou E. coli, que costuma ser sensível a vários esquemas, mas o uso prévio de cefalexina profilática e a internação com piora após 3 dias de ceftriaxona aumentam a chance de resistência, inclusive produtor de beta-lactamase de espectro estendido (ESBL). Quando a suspeita é de enterobactéria resistente em paciente grave, o carbapenêmico entra como escolha mais segura. O meropenem cobre bem E. coli resistente, inclusive ESBL, e é uma opção clássica em infecção urinária complicada com piora clínica. Já manter o mesmo antibiótico ou trocar para drogas que não resolvem adequadamente esse padrão de resistência seria apostar na sorte, e infecção grave não combina com torcida. Então, o gabarito B está correto porque a situação sugere falha terapêutica com risco de resistência bacteriana, exigindo escalonamento para meropenem até sair o antibiograma e permitir desmame posterior conforme sensibilidade.