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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente de 2 anos, com má formação de trato urinário, que faz uso de profilaxia com Cefalexina para ITU de repetição, encontrase internado em uso de ceftriaxona há 3 dias e apresenta piora clínica, com sinais de desidratação, taquicardia e taquipneia. A cultura de urina coletada antes do início do tratamento teve crescimento de E. coli, ainda sem antibiograma. Em relação à antibioticoterapia adequada no momento, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: B

Em criança com malformação do trato urinário e ITU de repetição, você já deve acender a luz amarela para bactéria resistente, principalmente quando a evolução clínica piora mesmo com ceftriaxona. Nesse cenário, não basta "esperar o antibiograma" se o paciente está com sinais de gravidade e falha terapêutica: é preciso ampliar cobertura de forma empírica enquanto se reavalia foco, hidratação e gravidade clínica. A cultura já mostrou E. coli, que costuma ser sensível a vários esquemas, mas o uso prévio de cefalexina profilática e a internação com piora após 3 dias de ceftriaxona aumentam a chance de resistência, inclusive produtor de beta-lactamase de espectro estendido (ESBL). Quando a suspeita é de enterobactéria resistente em paciente grave, o carbapenêmico entra como escolha mais segura. O meropenem cobre bem E. coli resistente, inclusive ESBL, e é uma opção clássica em infecção urinária complicada com piora clínica. Já manter o mesmo antibiótico ou trocar para drogas que não resolvem adequadamente esse padrão de resistência seria apostar na sorte, e infecção grave não combina com torcida. Então, o gabarito B está correto porque a situação sugere falha terapêutica com risco de resistência bacteriana, exigindo escalonamento para meropenem até sair o antibiograma e permitir desmame posterior conforme sensibilidade.

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