Paciente internado em unidade fechada apresenta quadro de flutuação da consciência, desorientação, alucinação visual, agressividade. Na sua abordagem, você inicia investigação de causas clínicas e prescreve
- A)clonazepan 0,5 mg a cada hora até controle dos sintomas.
Errada: clonazepam pode piorar a confusao e nao e primeira escolha no delirium, salvo situacoes como abstinencia de sedativos ou alcool.
- B)contenção física enquanto aguarda resultado dos exames.
Errada: contenção fisica pode ser medida excepcional de seguranca, mas nao resolve a causa nem trata o delirium e nao deve ser a conduta principal.
- C)neuleptil ® 5 mg podendo aumentar gradativamente até 20 mg/dia.
Errada: neuleptil pode ser usado em alguns contextos psiquiatricos, mas nao e a opcao classica de escolha para delirium agitado em idoso internado.
- D)risperidona 2 mg, duas vezes ao dia.
Errada: risperidona pode ser usada por via oral em casos selecionados, mas a dose proposta nao e a mais adequada para controle agudo em paciente internado e agitado.
- E)haloperidol 0,5 a 1 mg IM.
Certa: haloperidol IM em baixa dose e conduta classica para controlar agitação e sintomas psicoticos do delirium enquanto se investiga e trata a causa.
Gabarito: E
O quadro descrito é bem típico de delirium: inicio agudo, flutuacao da consciencia, desorientacao, alucinacao visual e agitação, muito comum em paciente internado, especialmente em ambiente fechado. A primeira atitude e sempre procurar e tratar a causa clinica, porque o delirium quase nunca aparece “do nada”: pode vir de infeccao, hipoxemia, dor, retencao urinaria, constipacao, efeitos de medicamentos e tantas outras causas que adoram baguncar o cerebro do idoso. Enquanto investiga, voce precisa controlar a agitação de forma segura. Nessa situacao, o haloperidol e um dos fármacos mais usados porque ajuda a conter sintomas psicoticos e a desorganização comportamental com dose baixa. Em idoso, a regra e começar devagar, geralmente 0,5 a 1 mg, e reavaliar, porque o paciente geriatrico nao perdoa excesso de sedação. O objetivo nao e “apagar” o doente, e sim permitir cuidado e evitar auto e heteroagressao. Por isso a alternativa E esta correta. O haloperidol IM em baixa dose e uma conduta classica no delirium agitado, sobretudo quando ha risco imediato e necessidade de via parenteral. Depois de estabilizar, continua-se a busca da causa e medidas nao farmacologicas, como reorientacao, ambiente calmo, oculos/aparelho auditivo e presenca de familiar, quando possivel. Um detalhe importante: benzodiazepinicos nao sao a primeira escolha no delirium comum, porque podem piorar confusao, exceto em situacoes especificas como abstinencia de alcool ou sedacao muito particular. E contenção fisica nao substitui tratamento e deve ser ultima opcao, com muito criterio e monitorizacao.