Homem, 65 anos, com quadro clínico de dor abdominal, icterícia e náuseas, procura ambulatório. Após exames, o diagnóstico de pancreatite autoimune é sugerido. Nessa situação, assinale a opção que indica a conduta adequada a ser seguida.
- A)Dosagem seriada do IgG3 para controle clínico.
Errada, porque o acompanhamento da pancreatite autoimune não é feito com dosagem seriada de IgG3, e o marcador mais associado é o IgG4, além de a conduta inicial ser terapêutica, não só laboratorial.
- B)Biópsias anuais e somente observar o quadro pois a icterícia é intermitente.
Errada, porque não se trata de quadro para mera observação anual, já que a pancreatite autoimune sintomática deve receber tratamento com corticoide e acompanhamento clínico próximo.
- C)Iniciar glicocorticoide na dose de 40mg dia por 4 semanas.
Certa, porque a pancreatite autoimune geralmente responde bem a glicocorticoide em dose padrão, como prednisona 40 mg/dia por cerca de 4 semanas.
- D)Iniciar octeotride venoso para reduzir enzimas pancreáticas.
Errada, porque octreotida não é tratamento da pancreatite autoimune; ela não resolve o mecanismo imunológico da doença.
- E)Iniciar glicocorticoide na dose de 2mg/kg dia por 2 semanas.
Errada, porque 2 mg/kg/dia é uma dose excessiva e não é o esquema habitual para pancreatite autoimune, que costuma ser tratada com corticoide em dose padronizada.
Gabarito: C
A pancreatite autoimune costuma aparecer como um quadro meio traiçoeiro: dor abdominal, icterícia, náuseas e, muitas vezes, sinais que parecem até doença biliar ou até câncer de pâncreas. O raciocínio aqui é lembrar que, uma vez sugerido o diagnóstico e sem sinais de gravidade ou contraindicação, o tratamento de escolha é o corticoide, porque essa doença responde muito bem à imunossupressão. Na prática, a ideia é fazer uma prova terapêutica com glicocorticoide em dose habitual, como prednisona 40 mg ao dia por cerca de 4 semanas, e então reavaliar a resposta clínica e laboratorial. A melhora costuma ser rápida, com redução da icterícia, da dor e da inflamação pancreática. Isso ajuda tanto no tratamento quanto na confirmação indireta do diagnóstico. Por isso, a alternativa C está correta: iniciar glicocorticoide na dose de 40 mg/dia por 4 semanas é a conduta clássica para pancreatite autoimune. Doses muito altas ou esquemas estranhos não são necessários de rotina. E ficar só observando, quando o quadro já sugere a doença e o paciente está sintomático, seria perder tempo precioso. Resumo de prova: pancreatite autoimune lembra IgG4 relacionado, icterícia obstrutiva, e boa resposta a corticoide. Se a banca colocar tratamento, pense primeiro em corticoide em dose padrão, não em medidas inventadas para enzima pancreática ou monitoramento exótico.