Os dispositivos cardiodesfibriladores implantáveis (CDI) mudaram a história natural dos pacientes, vítimas de arritmias ventriculares complexas, sendo capazes de reconhecer ritmos anormais e desferir choques terapêuticos. Sobre os tipos de choque administrados, assinale a afirmativa correta.
- A)Os CDI endocárdicos não são capazes de desferir choques bifásicos, ficando restritos à terapia com choques monofásicos
Errada, porque os CDI endocárdicos também podem usar choque bifásico, que é justamente o padrão mais eficiente na prática.
- B)Uma onda de choque monofásico é capaz de encerrar potenciais fibrilatórios, mas também tornar outras áreas do miocárdio excitáveis, gerando arritmia choque-induzida
Certa, porque o choque monofásico pode terminar a fibrilação ventricular, mas também criar heterogeneidade elétrica e favorecer arritmia induzida pelo choque.
- C)Em um choque bifásico, a segunda onda de choque tem a mesma polaridade da primeira, neutralizando o efeito próarrítmico da primeira onda
Errada, porque no choque bifásico a segunda fase tem polaridade oposta à primeira, não a mesma polaridade.
- D)Não há diferença significativa na taxa de falha de desfibrilação entre choques monofásicos e bifásicos no tratamento da fibrilação ventricular
Errada, porque os choques bifásicos têm melhor taxa de sucesso e menor limiar de desfibrilação do que os monofásicos.
- E)A estimulação cardíaca acelerada (ATP - antitachycardia pacing) é uma forma alternativa de reversão de taquiarritmias, que reduz a necessidade de choques elétricos, sendo mais efetiva para taquiarritmias mais aceleradas.
Errada, porque o ATP é mais útil em algumas taquicardias ventriculares monomórficas e não é mais efetivo justamente nas taquiarritmias mais aceleradas.
Gabarito: B
Os CDI (cardiodesfibriladores implantáveis) são dispositivos que detectam arritmias ventriculares perigosas e tratam com estimulação antitaquicardia ou choque elétrico. Na prática moderna, os choques bifásicos são os mais usados porque costumam desfibrilar melhor, com menor energia necessária e menos efeitos adversos do que os monofásicos. A diferença entre monofásico e bifásico está no sentido da corrente. No choque monofásico, a corrente percorre o miocárdio em um único sentido. Isso pode interromper a fibrilação ventricular, mas também deixar áreas do coração em estado de excitabilidade desigual, favorecendo arritmias induzidas pelo próprio choque. Por isso, o item B está correto: o choque monofásico pode encerrar os potenciais fibrilatórios, mas também criar um ambiente pró-arrítmico. É exatamente essa a ideia cobrada pela banca: além de saber que o choque desfibrila, você precisa lembrar que ele não é “mágico” e pode bagunçar a eletricidade do miocárdio se a distribuição da energia for menos favorável. Já os choques bifásicos invertem a polaridade na segunda fase, o que melhora a eficácia da desfibrilação. Em linhas gerais, a literatura e as diretrizes de arritmias favorecem os bifásicos por maior sucesso com menor energia, razão pela qual as alternativas que negam essa vantagem ou tratam ATP como substituto de choque em taquiarritmias rápidas ficam erradas.