A utilização de imã em proximidade aos dispositivos eletrônicos implantáveis pode fornecer uma série de informações a respeito das configurações do aparelho, mesmo na ausência de equipamento específico de programação. Assinale a opção que não apresenta uma utilidade clínica do imã em pacientes portadores de marca-passo.
- A)Indicação da carga restante de bateria.
Certa: o imã pode ajudar a identificar a condição da bateria em vários dispositivos, geralmente por sinais sonoros ou padrão de resposta do aparelho.
- B)Inibição completa da estimulação ventricular.
Errada: o imã não costuma causar inibição completa da estimulação ventricular; o efeito típico é mudar para um modo assíncrono ou outro comportamento específico do dispositivo.
- C)Identificação do fabricante do aparelho.
Certa: a resposta ao imã pode variar entre fabricantes, então ela pode ajudar a reconhecer o fabricante do marca-passo.
- D)Programação temporária em modo assíncrono durante cirurgias.
Certa: em contexto perioperatório, o imã pode ser usado para colocar o marca-passo temporariamente em modo assíncrono e reduzir interferências.
- E)Interrupção de taquicardia mediada pelo marca-passo.
Certa: em alguns marca-passos, o imã pode interromper taquicardias mediadas pelo próprio dispositivo, conforme a programação e o modelo.
Gabarito: B
O imã é um recurso bem conhecido na prática com marca-passos e outros dispositivos eletrônicos implantáveis porque pode alterar temporariamente o comportamento do aparelho, além de ajudar na identificação de algumas informações do dispositivo. Em geral, ele faz o marca-passo entrar em um modo assíncrono, o que é útil em situações específicas, como durante cirurgias com risco de interferência eletromagnética. Também pode sinalizar o fabricante e, em muitos modelos, indicar dados sobre a bateria ou sobre eventos armazenados. Na cardiologia, o uso do imã é uma ferramenta prática, quase um “atalho de consulta” do dispositivo, mas não faz milagres. Ele não serve para bloquear totalmente a estimulação ventricular. Pelo contrário, o efeito clássico é forçar a estimulação em ritmo fixo e assíncrono, dependendo do modelo, justamente para evitar inibição por ruído externo. Outro ponto importante é que o imã pode ser usado para interromper taquicardias mediadas pelo marca-passo, especialmente em alguns dispositivos com resposta apropriada ao ímã. Por isso, ele aparece em provas como um recurso diagnóstico e terapêutico de suporte, mas sempre com função limitada e dependente do tipo de aparelho. Assim, a alternativa incorreta é a que fala em inibição completa da estimulação ventricular, porque o efeito esperado do imã em marca-passos não é suspender a estimulação, e sim modificar temporariamente seu modo de funcionamento. A banca costuma cobrar essa diferença entre “inibir” e “desprogramar/assíncronizar”, que é a chave da questão.