Em recém-nascidos com hiperinsulinismo, com hipoglicemia grave, refratária ao tratamento clínico, a proposta cirúrgica mais adequada é:
- A)duodenopancreatectomia.
Errada: a duodenopancreatectomia não é a técnica indicada para hiperinsulinismo neonatal, sendo uma proposta excessiva e inadequada para esse quadro.
- B)pancreatectomia subtotal com ressecção de 95% do tecido pancreático.
Certa: em hipoglicemia grave e refratária por hiperinsulinismo neonatal, a conduta cirúrgica clássica é a pancreatectomia subtotal extensa, com ressecção de cerca de 95% do pâncreas.
- C)pancreatectomia subtotal com ressecção de 60% do tecido pancreático.
Errada: a ressecção de 60% do pâncreas é insuficiente para controlar, na maioria dos casos graves, a hiperprodução de insulina do hiperinsulinismo difuso.
- D)pancreatectomia corpo caudal porque 90% das lesões se encontram nessa localização.
Errada: a justificativa anatômica também está incorreta, porque a doença não é tratada com pancreatectomia corpo-caudal como regra, e a distribuição das lesões não se resume a essa localização.
- E)apenas biópsia de pâncreas para determinar o tipo de alteração.
Errada: biópsia isolada não trata a hipoglicemia grave e refratária; ela pode ajudar na avaliação diagnóstica, mas não resolve o problema terapêutico.
Gabarito: B
O hiperinsulinismo neonatal é uma causa importante de hipoglicemia grave e persistente no recém-nascido. O problema é que o pâncreas libera insulina em excesso, derrubando a glicose de forma repetida e, às vezes, bem teimosa. Primeiro tenta-se o tratamento clínico, com oferta adequada de glicose e fármacos como o diazóxido; quando a hipoglicemia é grave e refratária, especialmente nas formas difusas, a solução pode ser cirúrgica. Nessa situação, a conduta clássica é a pancreatectomia subtotal extensa, em torno de 95% do tecido pancreático. A ideia é reduzir ao máximo a massa de células beta hiperfuncionantes para controlar a hipoglicemia. Menos que isso costuma ser insuficiente quando a doença é difusa, porque ainda sobra tecido capaz de continuar produzindo insulina em excesso. Por isso, a alternativa B é a correta: a ressecção de aproximadamente 95% do pâncreas é a estratégia cirúrgica mais adequada nos casos graves e refratários. É uma cirurgia de exceção, usada quando o tratamento clínico falha e o risco neurológico da hipoglicemia repetida passa a ser mais perigoso do que a própria intervenção. Na prática, a banca gosta de testar exatamente essa diferença entre "ressecção parcial qualquer" e a abordagem extensa necessária no hiperinsulinismo difuso. O raciocínio é simples: se o pâncreas está insistindo em fabricar insulina como se não houvesse amanhã, você tira quase tudo o que está exagerando.