Mulher, 35 anos, com queixa de fogachos, refere que a última menstruação ocorreu há 1 ano. Foi realizado teste da progesterona que foi negativo. Após estímulo com estrogênio e progestogênio, apresentou sangramento. As dosagens de FSH e LH foram 30 U/L e 40 U/L respectivamente. O diagnóstico é
- A)insensibilidade androgênica incompleta.
Incompleta insensibilidade androgênica costuma cursar com amenorreia primária, ausência de útero e fenótipo feminino, não com falência ovariana e FSH/LH elevados.
- B)amenorreia hipotalâmica.
Na amenorreia hipotalâmica, o problema é central e as gonadotrofinas ficam baixas ou inapropriadamente normais, não altas.
- C)síndrome dos ovários policísticos.
SOP pode causar amenorreia e anovulação, mas normalmente não dá fogachos nem elevação importante de FSH/LH como neste caso.
- D)falência ovariana precoce.
Correta: idade menor que 40 anos, fogachos, amenorreia, teste da progesterona negativo e gonadotrofinas elevadas indicam falência ovariana precoce.
- E)adenoma de hipófise.
Adenoma hipofisário não explica bem o padrão de hipoestrogenismo com resposta ao estrogênio-progestogênio e, em geral, alteraria o eixo de outra forma.
Gabarito: D
A paciente tem amenorreia secundária há 1 ano, fogachos e gonadotrofinas elevadas. Esse trio já acende a luz de hipoestrogenismo, muito típico de falência ovariana. Quando o ovário para de responder, o eixo hipotálamo-hipófise “grita” mais FSH e LH na tentativa de estimular a função ovariana, por isso os níveis ficam altos. O teste da progesterona foi negativo, o que sugere que não havia estrogênio suficiente para proliferar o endométrio e, portanto, não havia sangramento a ser desencadeado só com progesterona. Depois, ao fazer estímulo com estrogênio e progestogênio, surgiu sangramento, mostrando que o útero está presente e responde normalmente, e que o problema não é de via de saída nem de útero cicatrizado. O ponto-chave é interpretar os hormônios: em amenorreia por causa central, como amenorreia hipotalâmica, FSH e LH tendem a estar baixos ou normais baixos. Aqui estão altos, o que aponta para falência ovariana primária/ precoce. Em geral, considera-se falência ovariana precoce quando ocorre antes dos 40 anos, com amenorreia e elevação de gonadotrofinas. Então o gabarito D está correto porque a combinação de idade jovem, fogachos, amenorreia prolongada, teste da progesterona negativo e FSH/LH elevados fecha quadro de falência ovariana precoce.