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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente de 51 anos, assintomática, procura médico devido a alteração mamográfica de exame de rotina. Trouxe laudo do exame mamográfico: BIRADS 4: às custas de calcificações finas, pleomórficas e agrupadas em terço médio de quadrante superolateral de mama esquerda medindo na maior extensão 0,9x1,1 cm sem outros achados associados. Ultrassonografia de mamas não evidenciou achados. Sobre o caso, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: A

Quando a mamografia mostra calcificações suspeitas, sobretudo finas, pleomórficas e agrupadas, o raciocínio não é ficar observando: é amostrar o tecido. Esse padrão é clássico de lesão com potencial de malignidade, muitas vezes sem qualquer correlato ao ultrassom, então a ausência de achado ultrassonográfico não tranquiliza e não libera seguimento simples. Neste caso, a lesão é mamográfica, pequena e visível apenas na mamografia, por isso o método deve ser guiado por mamografia. A biópsia percutânea a vácuo é excelente para calcificações, porque retira amostra mais representativa da área suspeita e ajuda a confirmar ou excluir carcinoma, especialmente quando a dúvida é microcalcificação agrupada. A core biopsy guiada por ultrassom só faria sentido se houvesse uma lesão visível ao ultrassom, o que não aconteceu. Punção aspirativa com agulha fina também não é boa escolha aqui, porque não avalia bem arquitetura tecidual nem é o melhor exame para calcificações suspeitas. Ressonância de mamas pode até ter papel em situações selecionadas, mas não substitui a biópsia do achado mamográfico suspeito. Em prova, pense assim: BIRADS 4 pede investigação histológica. E, quando o achado só aparece na mamografia, a via de acesso lógica é a mamografia, não o ultrassom. É a diferença entre "ver e acompanhar" e "ver e biopsiar".

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