Paciente de 51 anos, assintomática, procura médico devido a alteração mamográfica de exame de rotina. Trouxe laudo do exame mamográfico: BIRADS 4: às custas de calcificações finas, pleomórficas e agrupadas em terço médio de quadrante superolateral de mama esquerda medindo na maior extensão 0,9x1,1 cm sem outros achados associados. Ultrassonografia de mamas não evidenciou achados. Sobre o caso, assinale a afirmativa correta.
- A)A biopsia percutânea a vácuo guiada por mamografia é o método de escolha neste caso para elucidação diagnóstica.
Certa: calcificações suspeitas sem achado ao ultrassom devem ser biopsiadas por via mamográfica, e a biópsia a vácuo é a melhor técnica para esse cenário.
- B)Como a lesão não tem representação ultrassonográfica é possível seguimento clínico com exame semestral.
Errada: BIRADS 4 não é caso de seguimento clínico, porque o risco de malignidade exige investigação histológica.
- C)O próximo passo diagnóstico seria solicitar uma ressonância de mamas com contraste.
Errada: ressonância pode ser complementar em alguns casos, mas não é o próximo passo para confirmar lesão mamográfica suspeita com calcificações.
- D)A core biopsia guiada por ultrassonografia é o método de escolha para elucidação diagnóstica.
Errada: não há representação ultrassonográfica da lesão, então a core biopsy guiada por ultrassom não é o método adequado.
- E)É possível solicitar uma punção de agulha fina guiada por ultrassonografia.
Errada: punção por agulha fina não é o exame preferido para calcificações suspeitas e, além disso, a lesão nem aparece ao ultrassom.
Gabarito: A
Quando a mamografia mostra calcificações suspeitas, sobretudo finas, pleomórficas e agrupadas, o raciocínio não é ficar observando: é amostrar o tecido. Esse padrão é clássico de lesão com potencial de malignidade, muitas vezes sem qualquer correlato ao ultrassom, então a ausência de achado ultrassonográfico não tranquiliza e não libera seguimento simples. Neste caso, a lesão é mamográfica, pequena e visível apenas na mamografia, por isso o método deve ser guiado por mamografia. A biópsia percutânea a vácuo é excelente para calcificações, porque retira amostra mais representativa da área suspeita e ajuda a confirmar ou excluir carcinoma, especialmente quando a dúvida é microcalcificação agrupada. A core biopsy guiada por ultrassom só faria sentido se houvesse uma lesão visível ao ultrassom, o que não aconteceu. Punção aspirativa com agulha fina também não é boa escolha aqui, porque não avalia bem arquitetura tecidual nem é o melhor exame para calcificações suspeitas. Ressonância de mamas pode até ter papel em situações selecionadas, mas não substitui a biópsia do achado mamográfico suspeito. Em prova, pense assim: BIRADS 4 pede investigação histológica. E, quando o achado só aparece na mamografia, a via de acesso lógica é a mamografia, não o ultrassom. É a diferença entre "ver e acompanhar" e "ver e biopsiar".