O teste ergométrico pode ser empregado para a reprodução de arritmias cardíacas que se manifestam no esforço. Dentre as opções abaixo, assinale aquela onde a ocorrência de arritmia durante o teste ergométrico improvável:
- A)Taquicardia ventricular catecolaminérgica.
Correta como causa de arritmia ao esforço, porque a taquicardia ventricular catecolaminérgica é classicamente desencadeada por exercício ou estresse adrenérgico.
- B)Síndrome do QT longo.
Correta como possibilidade de arritmia no esforço, já que a síndrome do QT longo pode precipitar eventos arrítmicos com atividade física.
- C)Cardiomiopatia ventricular direita arritmogênica.
Correta como possibilidade de arritmia durante esforço, pois a cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito pode cursar com arritmias desencadeadas por exercício.
- D)Síndrome de Brugada.
Errada, porque a síndrome de Brugada costuma manifestar arritmias em repouso, especialmente à noite ou com febre, e não tipicamente no esforço.
- E)Cariomiopatia hipertrófica.
Correta como possibilidade de arritmia no esforço, já que a cardiomiopatia hipertrófica pode provocar sintomas e arritmias com atividade física.
Gabarito: D
O teste ergométrico serve, entre outras coisas, para tentar provocar arritmias que aparecem ou pioram com o esforço. Isso faz sentido em doenças em que o aumento da catecolamina, da frequência cardíaca ou da demanda do miocárdio funciona como gatilho. Por isso, algumas cardiopatias elétricas e estruturais podem “entregar o jogo” na esteira, enquanto outras preferem aparecer em repouso, durante o sono ou em situações como febre. Na prática, taquicardia ventricular catecolaminérgica, síndrome do QT longo, cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito e cardiomiopatia hipertrófica podem se manifestar com exercício, seja por aumento do tônus adrenérgico, seja por maior risco de taquiarritmias induzidas pelo esforço. O teste ergométrico pode ajudar justamente a reproduzir esses eventos e documentar alterações de ritmo. Já a síndrome de Brugada é o desmancha-prazeres da questão: ela é tipicamente associada a arritmias em repouso, com predomínio noturno, e pode ser precipitada por febre, álcool e alguns medicamentos, não por esforço físico. O padrão eletrocardiográfico clássico também costuma ser mais evidente em condições basais e não durante o teste de esforço. Por isso, a ocorrência de arritmia no teste ergométrico é improvável nesse cenário. Em resumo: se a arritmia “gosta” de adrenalina, o teste ergométrico pode ajudar. Se ela é mais do tipo repouso, febre e sono, pense em Brugada.