Sobre o hipotireoidismo na gravidez, assinale a afirmativa correta.
- A)A prevalência de hipotireoidismo subclínica é de 17% na gravidez e de 23% na população em geral.
Errada: a prevalência de hipotireoidismo subclínico na gravidez não é de 17%, e o número informado também não corresponde à população geral.
- B)A Doença de Hashimoto é causa rara de hipotireoidismo na gravidez.
Errada: a doença de Hashimoto é uma das causas mais comuns de hipotireoidismo em gestantes, não uma causa rara.
- C)Não há diferenças no corte laboratorial da dosagem de TSH ao longo da gravidez.
Errada: os valores de referência do TSH mudam conforme o trimestre, especialmente no início da gestação.
- D)O tratamento indicado é de aproximadamente 2 mcg/Kg por dia, uma vez que a grávida depende de maior quantidade de levotiroxina exógena que paciente hipotireoideas não gestantes.
Certa: a gravidez aumenta a necessidade de levotiroxina, então a reposição costuma ser maior do que na mulher não gestante.
- E)O feto tem alta probabilidade de síndrome de Sheeran.
Errada: não existe essa associação clássica entre hipotireoidismo materno e uma 'síndrome de Sheeran'; a alternativa traz um termo que não faz parte do tema.
Gabarito: D
O hipotireoidismo na gravidez merece atenção porque a gestação aumenta a demanda por hormônios tireoidianos. Em quem já tem hipotireoidismo, especialmente por tireoidite de Hashimoto, a dose de levotiroxina costuma precisar subir logo no início da gestação, muitas vezes em torno de 25% a 50%, para manter o TSH em alvo e proteger mãe e feto. A ideia é simples: na gravidez, a tireoide trabalha mais, e se ela já estava no limite, vai faltar combustível. Por isso, o gabarito é a alternativa D: a grávida com hipotireoidismo geralmente necessita uma dose maior de levotiroxina exógena do que a mulher não gestante. Na prática, o ajuste costuma ser feito por kg e, em muitas referências, a necessidade total gira em torno de 2 mcg/kg/dia em mulheres com reposição plena, com monitorização frequente do TSH e do T4 livre. O ponto central da questão é reconhecer que a demanda hormonal aumenta na gestação. Também vale lembrar que os valores de TSH não são iguais ao longo dos três trimestres. No primeiro trimestre, o hCG pode reduzir o TSH, então os cortes laboratoriais precisam considerar referências gestacionais, e não apenas os valores de fora da gravidez. A tireoidite de Hashimoto, ao contrário do que a questão sugere, é uma causa muito comum de hipotireoidismo na gestação. Resumo de prova: gravidez aumenta a necessidade de levotiroxina, TSH precisa de interpretação por trimestre e hipotireoidismo autoimune é o clássico vilão silencioso.