Em relação à avaliação ecocardiográfica da estenose aórtica, assinale a afirmativa correta.
- A)A área valvar aórtica indexada < 0,75 mL/m2 está relacionada à estenose aórtica importante.
Errada: o valor de referência está incorreto, pois a gravidade costuma ser definida por área valvar aórtica indexada em cm2/m2, e não por mL/m2, além de o ponto de corte citado não corresponder ao padrão de estenose importante.
- B)A ecocardiografia com dobutamina está contraindicada na presença de área < 1,0 cm2, gradiente VE/Ao médio < 30 mmHg e fração de ejeção reduzida.
Errada: a ecocardiografia com dobutamina não é contraindicada nesse cenário, pelo contrário, ela é útil na estenose aórtica de baixo fluxo e baixo gradiente com fração de ejeção reduzida.
- C)O índice do Doppler de velocidades (via de saída do ventrículo esquerdo/válvula aórtica) pode ser uma abordagem utilizada, minimizando erros relacionados à medida do diâmetro da via de saída do ventrículo esquerdo.
Certa: o índice de velocidades entre via de saída do VE e valva aórtica reduz o impacto de erro na medida do diâmetro da via de saída do VE e é uma ferramenta válida na avaliação da estenose aórtica.
- D)A planimetria da área valvar aórtica pela ecocardiograma transtorácico tridimensional é sempre preferível à análise derivada do Doppler.
Errada: a planimetria tridimensional pode ajudar, mas não é sempre preferível ao Doppler, porque a qualidade da imagem e a calcificação valvar podem limitar sua precisão.
- E)A estenose aórtica paradoxal é caracterizada por fração de ejeção do VE reduzida, gradiente VE/Ao médio < 40 mmHg, área valvar aórtica < 1,0 cm2 e volume sistólico indexado < 35 ml/m2.
Errada: a estenose aórtica paradoxal tem fração de ejeção preservada, e não reduzida, embora apresente gradiente médio baixo, área valvar pequena e volume sistólico indexado baixo.
Gabarito: C
Na estenose aórtica, a ecocardiografia não olha só para a área valvar. Ela combina área, gradiente, velocidade, fração de ejeção e, quando necessário, métodos auxiliares para evitar erros de medida. O objetivo é entender se a obstrução é realmente importante e se o ventrículo está conseguindo compensar ou já está “cansado”. O gabarito é a letra C porque o índice doppler de velocidades, também chamado de dimensão indexada ou dimensionless index, compara a velocidade na via de saída do ventrículo esquerdo com a velocidade na valva aórtica. Isso ajuda muito quando a medida do diâmetro da via de saída do VE é difícil, pois esse diâmetro entra ao quadrado na fórmula da continuidade e qualquer errinho ali bagunça bastante o resultado. Na prática, esse índice é uma alternativa útil justamente por reduzir a dependência de uma medida anatômica mais sujeita a erro. Por isso, ele pode complementar a avaliação da estenose aórtica, especialmente quando a janela ecocardiográfica não é perfeita ou quando há dúvida sobre a área valvar calculada pelo método tradicional. As demais alternativas trazem conceitos trocados. A estenose aórtica paradoxal, por exemplo, tem fração de ejeção preservada, e a dobutamina é justamente um exame usado em casos de baixo fluxo e baixo gradiente com fração de ejeção reduzida, para ver se existe reserva contrátil e confirmar a gravidade da lesão.