A ressecção e anastomose primária é aceita universalmente como procedimento cirúrgico, no tratamento da estenose traqueal benigna. Com relação ao cuidado técnico neste procedimento, assinale a afirmativa incorreta.
- A)Dissecção lateral extensa rente aos anéis traqueais, além dos limites da estenose, deve ser evitada.
Correta: a dissecção lateral extensa deve ser evitada para preservar a vascularização da traqueia e reduzir complicações anastomóticas.
- B)Ressecções acima de 4cm, cursam com maiores índices de complicações, principalmente em pacientes idosos.
Correta: ressecções maiores, especialmente acima de 4 cm, aumentam a tensão da anastomose e o risco de complicações.
- C)A identificação e dissecção dos nervos recorrentes deve ser a mais extensa possível, prevenindo a paralisia das cordas vocais.
Errada: os nervos recorrentes devem ser preservados, e não amplamente dissecados, porque isso aumenta o risco de paralisia das cordas vocais.
- D)A broncofibroscopia no per-operatório contribui para a correta identificação do sítio da lesão, devendo ser estimulada.
Correta: a broncofibroscopia intraoperatória ajuda a localizar a lesão e orientar o procedimento.
- E)A anastomose deve ser iniciada pela porção membranosa da traqueia, com pontos separados ou sutura contínua.
Correta: a anastomose pode ser iniciada pela porção membranosa, com pontos separados ou sutura contínua, conforme a técnica cirúrgica.
Gabarito: C
Na estenose traqueal benigna, a ressecção com anastomose primária é o tratamento cirúrgico de escolha quando a lesão é curta e tecnicamente ressecável. O segredo do procedimento está em preservar a vascularização da traqueia, evitar dissecção lateral exagerada e fazer uma liberação cuidadosa para reduzir a tensão da anastomose. É aquela cirurgia em que menos agressão na manipulação costuma ser melhor para o resultado final. Em geral, ressecções mais longas aumentam o risco de complicações, especialmente quando a extensão passa de cerca de 4 cm, porque a anastomose fica mais tensa. Por isso, o cirurgião costuma lançar mão de manobras de liberação quando necessário, mas sem sair “descolando tudo” ao redor, para não comprometer a irrigação local. A broncofibroscopia no intraoperatório ajuda muito: ela confirma o local exato da estenose, orienta a ressecção e permite checar o alinhamento da anastomose. Já a sutura costuma ser feita com pontos separados ou contínuos, começando pela parede membranosa, conforme a técnica empregada. O item incorreto é o C porque a dissecção dos nervos recorrentes não deve ser “a mais extensa possível”. Pelo contrário, esses nervos devem ser preservados com o máximo cuidado, pois sua agressão pode causar paralisia de pregas vocais. Ou seja: aqui, mais dissecação não é mais segurança; é mais risco.