Nos pacientes com AVC Isquêmico é fundamental avaliar o local da obstrução, pois o paciente pode se beneficiar de trombólise venosa, trombólise intra-arterial e trombectomia, dependendo de vários fatores. Entretanto, a transformação hemorrágica é uma complicação que pode ocorrer, aumentando a morbimortalidade. É importante sabermos os fatores preditivos de transformação hemorrágica no exame inicial, antes da trombólise. Assinale a opção que indica os fatores que têm maior chance de transformação hemorrágica.
- A)Grande volume de déficit perfusional, oclusão proximal e área hipodensa extensa na TC inicial.
Correta: combina grande volume de área em risco, oclusão proximal e hipodensidade extensa na TC, que são fatores clássicos de maior risco de transformação hemorrágica.
- B)Pequeno volume de déficit perfusional, oclusão distal e área hipodensa extensa na TC inicial.
Errada: pequeno volume e oclusão distal sugerem menor extensão de lesão e menor risco hemorrágico, apesar da hipodensidade extensa contradizer esse perfil.
- C)Grande volume de déficit perfusional, oclusão distal e área hipodensa pequena na TC inicial.
Errada: oclusão distal e hipodensidade pequena apontam para menor gravidade, embora o grande volume de déficit perfusional pese contra essa combinação.
- D)Pequeno volume de déficit perfusional, oclusão proximal e pequena área hipodensa na TC inicial.
Errada: pequeno volume de déficit e pequena área hipodensa indicam menor risco, mesmo com oclusão proximal.
- E)Grande volume de déficil perfusional, oclusão distal e área hipodensa extensa na TC Inicial.
Errada: a oclusão distal reduz a chance de grande infarto, e isso enfraquece a associação com maior transformação hemorrágica, apesar da hipodensidade extensa.
Gabarito: A
Na prática do AVC isquêmico, a chance de transformação hemorrágica aumenta quando há mais tecido cerebral já comprometido e maior extensão do infarto. Pense assim: quanto maior a área isquêmica e pior a reperfusão abrupta, maior a chance de o vaso “vazar” depois da trombólise. Por isso, exames iniciais que mostram grande volume de déficit perfusional, oclusão mais proximal e sinais extensos de hipodensidade na tomografia acendem o alerta. O raciocínio é bem lógico: oclusões proximais costumam causar infartos maiores, com maior sofrimento da microcirculação e da barreira hematoencefálica. Quando a TC inicial já mostra área hipodensa extensa, isso sugere infarto estabelecido e maior risco de sangramento após recanalização. Em outras palavras, o cérebro já está dizendo: “essa região está muito machucada”. Entre os fatores preditivos clássicos de transformação hemorrágica, destacam-se: maior volume do infarto, maior gravidade clínica, hipodensidade extensa na TC inicial, oclusão proximal e reperfusão precoce em tecido muito lesado. Não é um diagnóstico para proibir automaticamente trombólise, mas ajuda a pesar risco e benefício. Assim, o gabarito é a alternativa A, porque reúne exatamente os três elementos que apontam para maior chance de transformação hemorrágica: grande volume de déficit perfusional, oclusão proximal e área hipodensa extensa na TC inicial.