Paciente masculino, 15 anos, tem o diagnóstico de febre reumática. Há 1 mês apresenta movimentos involuntários, erráticos, sem propósito, com caretamento da face e protusão da língua. A hipótese diagnóstica é a de
- A)Doença de Huntington.
Errada: a doença de Huntington costuma iniciar na vida adulta e tem caráter hereditário progressivo, não sendo o quadro típico de adolescente com febre reumática.
- B)Coreia de Sydenham.
Certa: a coréia de Sydenham é manifestação neurológica da febre reumática e causa movimentos involuntários, irregulares e sem propósito.
- C)Doença de Charcot.
Errada: Charcot não corresponde a esse quadro de movimentos coreicos; a alternativa não descreve a síndrome apresentada.
- D)Coreia familiar benigna.
Errada: a coreia familiar benigna é hereditária e geralmente se manifesta na infância, mas não tem a associação clássica com febre reumática.
- E)Doença de Wilson.
Errada: a doença de Wilson pode causar alterações motoras e psiquiátricas, porém o enunciado aponta diretamente para coreia pós-febre reumática.
Gabarito: B
A questão descreve um quadro clássico de coreia: movimentos involuntários, irregulares, sem finalidade, com “caretas” e protrusão da língua. Em prova, isso costuma apontar para uma síndrome hipercinética, e a palavra-chave aqui é a associação com febre reumática, que é a pista mais importante do caso. Na febre reumática, a coréia de Sydenham pode aparecer semanas ou até meses depois da infecção estreptocócica, frequentemente em crianças e adolescentes. Ela costuma causar movimentos rápidos, arrítmicos, que pioram com o estresse e desaparecem durante o sono. Pode vir acompanhada de instabilidade emocional e dificuldade motora fina. Ou seja, o paciente de 15 anos com febre reumática e coreia tem um retrato bem típico de coréia de Sydenham. Não é uma doença degenerativa crônica nem uma coreia hereditária da vida adulta; aqui o contexto clínico fecha o diagnóstico quase como peça de quebra-cabeça. Em resumo: febre reumática + movimentos coreiformes = coréia de Sydenham. Em provas da FGV, vale muito reconhecer a associação temporal e clínica, porque a banca adora trocar o nome do sinal pelo nome da doença e ver se você cai na armadilha.