Durante uma cirurgia com circulação extracorpórea, o paciente apresentou Lactato = 8 mmol/L. Esse resultado indica
- A)retenção de CO₂.
Errada, porque retenção de CO2 se relaciona mais com distúrbio ventilatório e acidose respiratória, não com lactato elevado como marcador principal.
- B)alcalose metabólica.
Errada, pois lactato alto aponta para acidose lática e hipoperfusão, não para alcalose metabólica.
- C)excesso de bicarbonato.
Errada, porque excesso de bicarbonato tenderia a alcalinizar, enquanto o aumento do lactato sugere consumo de oxigênio inadequado e metabolismo anaeróbio.
- D)perda de hidrogênio e cloro.
Errada, já que perda de hidrogênio e cloro é causa de alcalose metabólica, mas não explica um lactato de 8 mmol/L no contexto descrito.
- E)perfusão tecidual inadequada.
Certa, porque lactato elevado em circulação extracorpórea é marcador de hipoperfusão e metabolismo anaeróbio, indicando perfusão tecidual inadequada.
Gabarito: E
Lactato é um marcador indireto de metabolismo anaeróbio. Quando a perfusão dos tecidos cai, a célula recebe menos oxigênio, passa a produzir energia com maior participação da via anaeróbia e o lactato sobe. Em cirurgia com circulação extracorpórea, isso chama atenção porque pode indicar que a entrega de oxigênio aos tecidos está insuficiente, seja por baixo fluxo, anemia, hipotensão ou má distribuição do débito. Um lactato de 8 mmol/L é bem elevado e não costuma ser interpretado como um detalhe laboratorial inocente. Na prática, ele aponta para hipoperfusão tecidual e risco de acidose lática, um recado do corpo dizendo que os tecidos estão “trabalhando no modo economia”. Por isso, o gabarito é a letra E. A ideia central é: lactato alto não significa, por si só, retenção de CO2, excesso de bicarbonato ou alcalose metabólica. Ele é um sinal clássico de sofrimento perfusional e metabolismo anaeróbio. Em prova, sempre que aparecer lactato elevado em contexto cirúrgico ou de choque, pense primeiro em perfusão inadequada.