Sobre dor abdominal, assinale a afirmativa incorreta.
- A)Dor no hipocôndrio direito em uma paciente grávida de 30 semanas pode significar apendicite aguda.
Correta: na gestação, a apendicite pode ter localização atípica, inclusive mais alta, com dor em hipocôndrio direito pela mudança anatômica do apêndice.
- B)Dor abdominal associada a dor no ombro, pode ser consequente à perfuração de víscera oca.
Correta: dor abdominal com dor no ombro sugere irritação do diafragma, algo que pode acontecer em perfuração de víscera oca com ar livre subdiafragmático.
- C)Dor abdominal de forte intensidade associada a silêncio abdominal (aperistalse) pode estar associada à patologia de origem vascular.
Correta: dor intensa com silêncio abdominal pode ocorrer em isquemia mesentérica/abdome agudo vascular, que costuma cursar com íleo paralítico.
- D)Dor epigástrica de forte intensidade pode estar associada a infarto agudo do miocárdio.
Correta: o infarto agudo do miocárdio pode se manifestar como dor epigástrica, sobretudo em apresentações atípicas.
- E)Dor em faixa no andar superior do abdome pode estar associada à colecistite aguda.
Incorreta: dor em faixa no andar superior do abdome é muito mais sugestiva de pancreatite aguda do que de colecistite, que costuma causar dor em hipocôndrio direito ou epigástrio.
Gabarito: E
Na dor abdominal, o primeiro passo é sempre pensar no padrão da dor, porque ele costuma dar pistas do órgão envolvido. A localização, a irradiação e os sintomas associados ajudam muito a diferenciar causas biliares, vasculares, perfurativas, cardíacas e até obstétricas. Em prova, a banca adora misturar sinais que parecem parecidos, mas apontam para doenças diferentes. A dor em faixa no andar superior do abdome é bem típica de pancreatite aguda, porque o pâncreas fica em posição retroperitoneal e a inflamação costuma “abraçar” a parte alta do abdome, muitas vezes irradiando para as costas. Já a colecistite aguda costuma dar dor no hipocôndrio direito ou em epigástrio, com possível irradiação para o ombro ou escápula direita, principalmente após alimentação gordurosa. Por isso, a alternativa E está incorreta: ela troca o padrão clássico de pancreatite por colecistite. A colecistite pode até causar dor alta no abdome, mas o termo “dor em faixa” aponta muito mais para pancreatite do que para inflamação da vesícula. Esse tipo de associação é cobrado de forma bem direta em clínica e gastroenterologia. As demais alternativas trazem associações plausíveis: dor referida ao ombro pode ocorrer por irritação diafragmática em perfuração de víscera oca; dor intensa com silêncio abdominal pode aparecer em isquemia mesentérica; e dor epigástrica pode, sim, ser apresentação de infarto agudo do miocárdio, especialmente em idosos e diabéticos. Em obstetrícia, a dor abdominal na gestante também merece atenção redobrada, porque a anatomia fica “reorganizada” e o diagnóstico pode fugir do roteiro clássico.