Em relação à lesão ureteral nas cirurgias colorretais, assinale a afirmativa correta.
- A)Há risco aumentado em mulheres, pacientes com perda sanguínea aumentada no período intraoperatório e em reoperações.
Certa: mulheres, sangramento intraoperatório aumentado e reoperações são fatores associados a maior risco de lesão ureteral nas cirurgias colorretais.
- B)Devem ser utilizados fios inabsorvíveis nas anastomoses ureterais, sem tensão e com bordas espatuladas.
Errada: o reparo ureteral costuma usar fios absorvíveis de longa duração, e não há regra de que devam ser inabsorvíveis.
- C)O cateter vesical de demora deve ser retirado após 4 semanas e o stent ureteral transanastomótico, após 4 a 6 semanas de pós-operatório.
Errada: a retirada do cateter vesical e do stent ureteral não segue esse esquema fixo, pois o tempo varia conforme o tipo de lesão e o reparo realizado.
- D)A técnica de Boari é mais utilizada nos reparos de lesões do terço superior do ureter do que nas lesões distais e terço médio.
Errada: a técnica de Boari é mais empregada em defeitos distais do ureter, não no terço superior.
- E)Está contraindicada a transureteroureterostomia do lado lesionado com o ureter são contralateral.
Errada: a transureteroureterostomia não é formalmente contraindicada em todos os casos e pode ser uma opção em situações selecionadas de reconstrução.
Gabarito: A
A lesão ureteral é uma complicação temida nas cirurgias colorretais porque o ureter fica muito perto do campo operatório, especialmente em procedimentos pélvicos e em situações de anatomia distorcida. O risco sobe quando a cirurgia fica mais difícil: reoperações, inflamação importante, tumor avançado, sangramento intraoperatório maior e dissecção mais trabalhosa aumentam a chance de o ureter “entrar na dança” sem ser convidado. Por isso, a alternativa A está correta: mulheres têm risco aumentado, em parte pela anatomia pélvica e pela maior proximidade de estruturas em determinados procedimentos, e a perda sanguínea intraoperatória aumentada costuma ser marcador de cirurgia mais complexa, com maior chance de identificação ruim das estruturas. Reoperações também aumentam o risco porque a fibrose e a alteração anatômica deixam tudo menos previsível. Na prática, a prevenção depende de boa identificação anatômica, dissecção cuidadosa e, em casos selecionados, uso de cateterização/profilaxia conforme a situação cirúrgica e experiência da equipe. Quando a lesão acontece, o reparo deve ser individualizado conforme o nível da lesão, sempre buscando anastomose sem tensão e boa vascularização. Se você lembrar de uma coisa para prova, pense assim: ureter ama sofrer em cirurgia com anatomia bagunçada. Quanto mais difícil o campo, maior o risco de lesão.