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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

O banco de dados público de notificações do SIVEP-GRIPE foi utilizado para estimar a associação entre renda salarial e mortes por Covid-19. O banco apresentou 20% de dados faltantes (missing data) para a variável renda. É correto afirmar que

Gabarito: B

Quando um banco de dados tem faltantes, o primeiro impulso de muita gente é pensar: “ah, tudo bem, depois eu vejo isso”. Só que em epidemiologia isso pode mudar o resultado da análise, principalmente quando a variável faltante é importante para a exposição ou para o ajuste do modelo, como renda aqui. O ponto central é entender por que os dados sumiram: se o mecanismo de missing não for completamente aleatório, simplesmente ignorar os registros pode enviesar a estimativa. A melhor conduta, em geral, é usar métodos que aproveitem a informação disponível, como imputação baseada em outras variáveis do banco. Isso é especialmente útil quando há variáveis correlacionadas com renda, como escolaridade, idade, ocupação, região ou acesso ao serviço de saúde. Assim, você reduz a perda de informação e preserva melhor o poder estatístico da análise. Por que a alternativa B está correta? Porque a imputação, quando bem feita, costuma ser preferível à exclusão pura e simples dos casos com missing, sobretudo quando o percentual faltante não é desprezível, como 20%. A imputação múltipla é a abordagem clássica em muitos cenários epidemiológicos, pois leva em conta a incerteza da estimativa e evita o viés que a exclusão pode gerar. Importante: não dá para assumir, sem mais, que o missing é “aleatório” e pronto. Na prática, dados de renda costumam ter padrão de não resposta, e isso pede cuidado metodológico. Em prova, a lógica é simples: faltantes relevantes pedem estratégia analítica inteligente, não fuga do problema.

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