Na atresia pulmonar com septo interventricular íntegro e possibilidade de perfuração valvar percutânea, o primeiro passo no cateterismo deve ser
- A)realizar atriosseptostomia com balão.
Errada, porque a atriosseptostomia pode ser útil em outras cardiopatias congênitas, mas não é o primeiro passo nesta situação específica.
- B)estudar a circulação coronariana, que pode ser dependente da pressão ventricular direita.
Certa, pois antes de perfurar a valva pulmonar é obrigatório avaliar se a circulação coronariana depende da pressão do ventrículo direito.
- C)estudar a anatomia das artérias pulmonares.
Errada, porque a anatomia das artérias pulmonares é importante, mas vem depois da avaliação coronariana nesse contexto.
- D)implantar stent no canal arterial.
Errada, pois stent no canal arterial não é a prioridade inicial da abordagem cateterística descrita no enunciado.
- E)investigar se há colaterais aortopulmonares.
Errada, porque a presença de colaterais aortopulmonares pode existir em outras cardiopatias, mas não é o primeiro passo aqui.
Gabarito: B
Na atresia pulmonar com septo interventricular íntegro, o ventrículo direito costuma ser hipoplásico e a saída do sangue para os pulmões pode depender de caminhos bem delicados. Quando existe possibilidade de perfuração valvar percutânea, o cateterismo não começa “atacando” a valva de qualquer jeito: primeiro você precisa entender se a circulação coronariana depende da pressão do ventrículo direito. Isso é essencial porque, em alguns casos, há sinusoides e comunicação entre o ventrículo direito e as coronárias, e baixar abruptamente essa pressão pode comprometer a perfusão miocárdica, com risco grave de isquemia e colapso. Então, antes de qualquer intervenção, o passo inicial é estudar a circulação coronariana. Essa avaliação define se a perfuração valvar é segura ou se o paciente tem circulação coronariana dependente do ventrículo direito, o que muda completamente a conduta. Em concurso, isso aparece como uma regra prática: primeiro anatomia funcional da coronária, depois tentativa terapêutica. As demais etapas podem até fazer parte do manejo global da cardiopatia congênita, mas não são a primeira providência nesse cenário específico. A banca gosta de cobrar essa sequência lógica, porque a falha aqui não é de técnica, é de segurança hemodinâmica. O raciocínio é simples: antes de abrir o caminho de saída, confira se o coração não está usando essa pressão como suporte para alimentar as coronárias.