Paciente do sexo masculino, com 28 anos de idade com Doença de Crohn fenótipo B3 (fistulizante) é submetido a ileocolectomia direita com anastomose ileocólica. - Sobre o seguimento endoscópico, assinale a afirmativa correta.
- A)O quadro clínico dita a necessidade de realização de colonoscopia, que no primeiro ano pós-operatório está indicada apenas nos casos de recorrência clínica.
Errada, porque a colonoscopia de seguimento no primeiro ano não fica reservada apenas para recorrência clínica; ela deve ser feita de forma programada mesmo sem sintomas.
- B)O paciente mantendo-se assintomático, programar colonoscopia se houver evidência de atividade da doença em enteroressonância, a ser realizada entre 6 e 12 meses após a cirurgia.
Errada, porque a enteroressonância não substitui a colonoscopia para vigilância endoscópica pós-operatória, e a indicação não depende de evidência de atividade na imagem.
- C)O paciente permanecendo assintomático, programar colonoscopia conforme indicado para rastreamento do câncer colorretal de acordo com a estratificação de risco individual.
Errada, porque o seguimento pós-operatório da doença de Crohn não segue apenas o rastreamento de câncer colorretal; é necessário controle específico de recorrência da doença.
- D)O paciente deve ser submetido à colonoscopia para avaliação de recorrência da doença entre 6 a 12 meses após a cirurgia, sendo fundamental o estudo da anastomose e do íleo neoterminal.
Certa, porque após ressecção por Crohn deve-se realizar colonoscopia em 6 a 12 meses para pesquisar recorrência, com inspeção da anastomose e do íleo neoterminal.
- E)O paciente deve ser submetido à colonoscopia entre 3 e 6 meses, utilizando-se a classificação de Rutgeerts na qual as classes i0 e i1 estão associadas à elevada chance de recorrência clínica.
Errada, porque o intervalo clássico não é 3 a 6 meses, e as classes i0 e i1 de Rutgeerts se associam a menor risco de recorrência clínica, não a risco elevado.
Gabarito: D
Na doença de Crohn após cirurgia, o grande vilão é a recorrência no local da anastomose e no íleo neoterminal, muitas vezes antes mesmo de o paciente começar a reclamar de algo. Por isso, o seguimento endoscópico não depende apenas de sintomas: a colonoscopia é parte central da vigilância precoce no pós-operatório, porque ela consegue enxergar lesões iniciais e orientar conduta antes da falha clínica aparecer. O ponto clássico cobrado em prova é este: depois de uma ileocolectomia por Crohn, o paciente deve fazer colonoscopia de controle entre 6 e 12 meses, mesmo se estiver assintomático. O exame deve avaliar cuidadosamente a anastomose e o íleo neoterminal, pois é ali que costuma surgir a recorrência endoscópica primeiro. Depois, os achados ajudam a classificar a atividade e a decidir intensificação terapêutica. A base doutrinária é o acompanhamento endoscópico precoce pós-ressecção, recomendado em diretrizes gastroenterológicas por causa da alta taxa de recorrência subclínica. A classificação de Rutgeerts é usada justamente nesse contexto para graduar a recorrência endoscópica e estimar risco futuro de recaída clínica. Em resumo: na Crohn operada, esperar sintomas pode ser tarde demais. Assim, o gabarito está na alternativa D porque ela traduz a conduta correta de vigilância endoscópica após a cirurgia, com prazo de 6 a 12 meses e avaliação dirigida do íleo neoterminal e da anastomose.