Em relação a LLA, analise as afirmativas a seguir. I. A conduta padrão de diferenciar LLA e Linfoma não Hodgkin tipo T ou B é utilizar o cutoff de 25% de blastos na medula óssea. Acima de 25% é estabelecido o diagnóstico de linfoma e abaixo é estabelecido o diagnóstico de LLA. II. Doença residual mínima indetectável ou com mínimo menor do que 10-4 no final da fase de indução, está associada ao melhor prognóstico. III. O regime de manutenção tem um impacto na sobrevida livre de eventos e reflete um risco aumentado de recaída de 2,7 x maior no grupo de baixa aderência a terapia com 6 mercaptopurina. Está correto o que se afirma em
- A)II, somente
A alternativa sustenta apenas a afirmativa II. Essa afirmativa está correta porque a doença residual mínima indetectável, ou abaixo de 10^-4 ao fim da indução, indica maior quimiossensibilidade e se associa a menor risco de recaída e melhor prognóstico na LLA. O problema é que a questão também traz as afirmativas I e III como verdadeiras, de modo que não pode ser "somente II".
- B)I e II, somente
A alternativa afirma que I e II estão corretas. A afirmativa I está invertida: o ponto de corte de 25% na medula é usado para separar linfoma linfoblástico de leucemia linfoblástica, mas com a lógica oposta à descrita, pois mais de 25% de blastos na medula favorece LLA e menos de 25% favorece linfoma linfoblástico. Como II está certa, o erro desta opção é incluir I como se estivesse correta.
- C)I e III, somente
A alternativa indica que I e III seriam as corretas. A III realmente procede, porque a fase de manutenção depende muito da adesão à 6-mercaptopurina e baixa adesão se associa a pior sobrevida livre de eventos, com aumento importante do risco de recaída, em torno de 2,7 vezes. Já a I está conceitualmente errada, pois o corte de 25% na medula não leva ao diagnóstico de linfoma quando está acima do valor, mas sim ao diagnóstico de LLA.
- D)II e III, somente
A alternativa reúne II e III, que são as duas afirmações corretas. A II está de acordo com a literatura sobre LLA, pois MRD negativa ou <10^-4 após a indução é um forte marcador de bom prognóstico e menor chance de recaída. A III também está correta porque a manutenção com 6-mercaptopurina tem impacto real na sobrevida livre de eventos, e a baixa adesão aumenta de forma relevante o risco de recidiva.
- E)I e II, somente
Esta alternativa repete o conteúdo de "I e II, somente". Embora a II esteja correta, a I está formulada ao contrário do critério aceito: em linfoma/leucemia linfoblástica, menos de 25% de blastos na medula aponta para linfoma e 25% ou mais aponta para LLA. Por isso, a presença da afirmativa I invalida essa opção.
Gabarito: D
A LLA (leucemia linfoide aguda) e os linfomas linfoblásticos T ou B formam um mesmo espectro de doença, e a diferença prática costuma ser feita pelo percentual de blastos na medula óssea. Em geral, quando há 25% ou mais de blastos medulares, fala-se em leucemia; abaixo disso, o quadro tende a ser classificado como linfoma. Por isso, a afirmativa I está errada, porque inverte a lógica do ponto de corte. A doença residual mínima (DRM) é uma das ferramentas mais importantes no seguimento da LLA. Se ela está indetectável, ou muito baixa, especialmente abaixo de 10^-4 ao final da indução, isso sugere melhor resposta ao tratamento e, portanto, melhor prognóstico. A afirmativa II está correta. Na fase de manutenção, a adesão ao esquema, especialmente ao uso de 6-mercaptopurina, faz muita diferença. Estudos mostram que baixa aderência se associa a aumento importante do risco de recaída, chegando a cerca de 2,7 vezes mais risco. Então a afirmativa III também está correta. Resumo da prova: I erra a direção do cutoff, e II e III trazem pontos clássicos de prognóstico e adesão na LLA. Por isso, o gabarito é a alternativa D.