Em relação ao cálculo dos valores de sobrevida na tabela de Kaplan-Meier, analise a tabela a seguir. Período Pessoas em risco Mortes Sobrevida cumulativa 0-1 8 1 ? 1-2 7 2 ? 2-3 4 1 ? 3-4 3 1 ? Com base na tabela, é correto afirmar que
- A)a sobrevida cumulativa deve ser calculada para o período 1-2 pela seguinte equação (7/8) x (5/7) = 0,62 ou 62%.
Certa: usa a razão de sobreviventes em cada intervalo e a multiplica pela sobrevida acumulada anterior, chegando a 0,62.
- B)a sobrevida cumulativa deve ser calculada para o período 1-2 pela seguinte equação (1/8) x (2/7) = 0,36 ou 36%.
Errada: inverte a lógica do cálculo, usando mortes como se fossem sobreviventes e ainda aplica proporções inadequadas.
- C)a sobrevida é igual para todos os anos.
Errada: a sobrevida acumulada varia ao longo do tempo conforme ocorrem eventos, não fica igual em todos os anos.
- D)não é possível calcular a sobrevida cumulativa para 2021 com os dados disponíveis.
Errada: com os dados da tabela já é possível calcular a sobrevida cumulativa em cada período usando Kaplan-Meier.
- E)a sobrevida cumulativa para o período 3-4 é calculada pela equação 2/3 = 0,67 ou 67%.
Errada: a conta proposta não corresponde ao método Kaplan-Meier, que exige a proporção de sobreviventes do intervalo multiplicada pela sobrevida anterior.
Gabarito: A
Na tabela de Kaplan-Meier, a sobrevida não é um valor fixo desde o começo: ela vai sendo atualizada a cada período conforme ocorrem os óbitos. A lógica é simples e bem “conta de padaria”: em cada intervalo, você calcula a proporção de sobreviventes naquele trecho e multiplica pela sobrevida acumulada anterior. Assim, a sobrevida cumulativa do período 0-1 é 7/8, porque de 8 pessoas em risco, 1 morreu. No período 1-2, há 7 pessoas em risco e 2 mortes, então a sobrevida do intervalo é 5/7. Como a Kaplan-Meier é acumulada, você multiplica pelo valor anterior: (7/8) x (5/7) = 5/8 = 0,625, arredondando para 0,62 ou 62%. Essa é exatamente a lógica da alternativa A. Se você olhar os demais períodos, a mesma regra se repete: a cada intervalo, calcula-se a fração de sobreviventes daquele trecho e atualiza-se a curva. Isso é o coração do método Kaplan-Meier, muito usado em análise de tempo até evento, especialmente quando há censura. Não há “mágica”, só multiplicação sucessiva das probabilidades de permanecer vivo em cada etapa. Então, o gabarito A está correto porque aplica a fórmula certa para a sobrevida cumulativa no segundo período. A alternativa mistura corretamente os números de pessoas em risco e mortes, e faz a multiplicação acumulada do jeito esperado pelo método.