Paciente com uma lesão ulcerada de pele de orelha, com bordas elevadas, localizada no hélix, com 0,3cm. Assinale a opção que indica a conduta mais adequada.
- A)Deve tratar-se de um nevo infectado, conduta conservadora com curativos.
Errada: uma lesão ulcerada suspeita em hélix não deve ser presumida como nevo infectado, e a conduta conservadora pode atrasar o diagnóstico de câncer de pele.
- B)Deve tratar-se de um carcinoma baso-celular, a ressecção sem a preocupação com margens é suficiente.
Errada: carcinoma basocelular é menos compatível com o enunciado e, mesmo quando tratado cirurgicamente, a ressecção deve respeitar margens adequadas.
- C)Deve tratar-se de um carcinoma epidermoide a ressecção deve ter margens adequadas e não é necessário a análise histopatológica das margens.
Errada: no carcinoma epidermoide, a ressecção deve ter margens adequadas e a análise histopatológica das margens é importante para confirmar retirada completa.
- D)Deve tratar-se de um carcinoma epidermoide a ressecção deve ter margens seguras, se possível checadas em exame de congelação durante a cirurgia.
Certa: a lesão sugere carcinoma epidermoide, e a melhor conduta é ressecção com margens seguras, com ideal controle de margem por congelação quando disponível.
- E)O carcinoma epidermoide não ocorre na superfície cutânea.
Errada: o carcinoma epidermoide ocorre sim na pele, inclusive em áreas fotoexpostas como a orelha.
Gabarito: D
Uma lesão ulcerada em hélix, com bordas elevadas, pequena e em área fotoexposta, faz pensar primeiro em carcinoma cutâneo. Na orelha, especialmente no hélix, o carcinoma espinocelular (epidermoide) é uma hipótese importante, porque essa região recebe muita radiação solar ao longo da vida e o tumor pode aparecer como úlcera persistente, endurecida e com bordas elevadas. Na prática, a conduta não é tratar como algo benigno nem fazer retirada “de qualquer jeito”. Em câncer de pele suspeito, o ideal é ressecção com margens seguras, com avaliação histopatológica do material. Quando possível, a checagem de margem intraoperatória por congelação ajuda a confirmar que o tumor foi totalmente retirado antes de terminar o procedimento. Isso conversa com a lógica clássica da cirurgia oncológica: remover a lesão inteira, respeitando margem adequada e confirmando que não ficou doença residual. Para tumores de pele em áreas nobres, como a orelha, o cuidado com margem e reconstrução é ainda mais importante, porque recidiva ali não é nada simpática. Por isso, a alternativa D é a correta: descreve uma lesão compatível com carcinoma epidermoide e orienta ressecção com margens seguras, idealmente checadas por congelação durante a cirurgia.