Paciente jovem, sem comorbidades, com uso prolongado de contraceptivo oral, em exame ultrassonográfico de rotina para investigação de dispepsia encontrou nódulo de aproximadamente 7,0cm no segmento VI do fígado. Foi então submetida à tomografia computadorizada contrastada multifásica do abdome que identificou lesão única, bem delimitada, com aspecto sugestivo de ser encapsulada e com foco hemorrágico intralesional, além de realce homogêneo na fase arterial e isoatenuante ao parênquima hepático na fase portal. Diante desse achado, assinale a opção que indica o diagnóstico e a conduta adequados, respectivamente.
- A)Hiperplasia nodular focal e ressecção do nódulo.
Hiperplasia nodular focal costuma ter cicatriz central e, em geral, não exige ressecção, o que não bate com o quadro de lesão hemorrágica em usuária de anticoncepcional.
- B)Adenoma hepático e ressecção do nódulo.
Adenoma hepático é o diagnóstico mais compatível com mulher jovem em uso prolongado de anticoncepcional, e a ressecção é indicada para lesões grandes como esta, pelo risco de sangramento e complicações.
- C)Carcinoma hepato celular e hepatectomia direita.
Carcinoma hepatocelular é improvável em paciente jovem sem cirrose ou hepatopatia crônica, e a imagem descrita é mais típica de adenoma do que de tumor maligno hepático.
- D)Hemangioma hepático e suspensão do contraceptivo oral.
Hemangioma costuma ter realce periférico nodular e preenchimento centrípeto progressivo, diferente do padrão descrito, além de a suspensão do anticoncepcional não ser a conduta central do caso.
- E)Cisto não parasitário e destelhamento por videolaparoscopia.
Cisto simples não costuma ter realce arterial nem foco hemorrágico intralesional, e o tratamento por destelhamento laparoscópico não faz sentido para essa imagem.
Gabarito: B
Em paciente jovem, sem cirrose, com uso prolongado de anticoncepcional oral e uma lesão hepática única grande, a principal hipótese é adenoma hepático. Esse tumor benigno tem associação clássica com estrogênio exógeno, especialmente em mulheres jovens, e pode aparecer como nódulo bem delimitado, com hemorragia intralesional. Quando a lesão é maior que 5 cm, o risco de sangramento e de transformação maligna sobe, então a conduta costuma ser ressecção, sobretudo se houver sintomas, crescimento ou sinal de complicação. Aqui, a tomografia ajuda bastante: realce arterial homogêneo e isoatenuação na fase portal combinam com adenoma, e o foco hemorrágico reforça a suspeita. Na prática de prova, pense assim: anticoncepcional + massa hepática grande + sangramento interno = adenoma até prova em contrário, e o tratamento é retirar o nódulo e suspender o hormônio.