Para o tratamento da síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS), assinale a afirmativa incorreta.
- A)É importante o controle dos fatores de risco, como obesidade, hipotireoidismo, uso de álcool e de sedativos.
Certa, porque o controle de fatores de risco e agravos associados, como obesidade, álcool e sedativos, faz parte da abordagem da SAOS.
- B)Os aparelhos intraorais, usados em geral nos casos de SAOS leve a moderada, são projetados para avançar a mandíbula ou, pelo menos, impedir a retrusão da mesma durante o sono.
Certa, porque os aparelhos intraorais são usados especialmente em SAOS leve a moderada e promovem avanço mandibular ou impedem sua retrusão.
- C)A estimulação do nervo hipoglosso com dispositivo implantável permite aumentar a permeabilidade da via aérea superior em pacientes selecionados com SAOS moderada a grave.
Certa, porque a estimulação do nervo hipoglosso é opção para pacientes selecionados com SAOS moderada a grave.
- D)A pressão positiva contínua das vias respiratórias melhora a permeabilidade via aérea superior colapsável, sendo padrão ouro para o tratamento da SAOS moderada e severa.
Certa, porque o CPAP mantém a via aérea superior aberta e é considerado padrão ouro na SAOS moderada e grave.
- E)A uvulopalatofaringoplastia é o tratamento de eleição para os pacientes com SAOS grave e obesidade mórbida.
Errada, porque a uvulopalatofaringoplastia não é tratamento de eleição para SAOS grave com obesidade mórbida; nesses casos, o controle clínico e o CPAP costumam ser preferenciais.
Gabarito: E
A síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) costuma exigir tratamento em camadas: primeiro, você corrige o que piora o colapso da via aérea, como obesidade, álcool, sedativos e outras causas associadas. Em muitos pacientes, a base do tratamento é a pressão positiva contínua das vias respiratórias (CPAP), que funciona como uma espécie de "escora" para manter a via aérea aberta durante o sono e é o padrão ouro nos casos moderados a graves. Quando a SAOS é leve a moderada, ou quando o paciente não se adapta ao CPAP, os aparelhos intraorais podem ser úteis. Eles geralmente avançam a mandíbula ou evitam sua retrusão, aumentando o espaço da faringe e reduzindo os eventos obstrutivos. Em casos selecionados, também existe a estimulação do nervo hipoglosso com dispositivo implantável, que melhora o tônus da língua e ajuda a manter a via aérea pérvia. A armadilha da questão está na cirurgia. A uvulopalatofaringoplastia pode até ser considerada em situações específicas, mas não é tratamento de eleição para SAOS grave, muito menos para pacientes com obesidade mórbida. Nesses casos, o controle do peso, o CPAP e a seleção cuidadosa de outras terapias costumam ter papel muito mais importante. Em resumo: cirurgia palatal isolada não é a estrela do tratamento quando a doença é mais pesada.