Criança com dorsolombalgia realizou ressonância magnética que demonstrou depressões centrais nas placas terminais vertebrais em múltiplos níveis, refletindo infartos ósseos e com hipointensidade de sinal difusamente nas sequencias ponderadas em T2. Assinale a opção que indica o provável diagnóstico.
- A)Vértebras limbo.
Errada, porque vértebra em limbo é um achado degenerativo/estrutural da coluna, não um padrão de infartos ósseos difusos em criança.
- B)Artropatia neurogênica de Charcot.
Errada, pois a artropatia de Charcot ocorre por perda de sensibilidade e destruição articular, não por infarto ósseo vertebral múltiplo.
- C)Osteogênese imperfeita.
Errada, já que a osteogênese imperfeita causa fragilidade óssea e fraturas, mas não explica esse padrão de isquemia medular e depressões das placas terminais.
- D)Anemia falciforme.
Certa, porque a anemia falciforme pode causar vaso-oclusão com infartos ósseos e alterações vertebrais dolorosas à RM.
- E)Fraturas de Chance.
Errada, pois fratura de Chance é lesão traumática por flexão da coluna, não um quadro de infartos ósseos difusos em múltiplos níveis.
Gabarito: D
Quando uma criança com dorsolombalgia faz RM e aparecem depressões centrais nas placas terminais vertebrais em vários níveis, o raciocínio mais importante é pensar em sofrimento ósseo difuso, não em uma lesão isolada da coluna. Esse padrão de infartos ósseos vertebrais é bem compatível com anemia falciforme, doença em que a vaso-oclusão pode comprometer os ossos e a medula, causando dor e alterações de sinal na ressonância. Na imagem descrita, a hipointensidade difusa em T2 reforça a ideia de alteração medular/óssea crônica, algo que combina com a fisiopatologia da falcização: hemácias em forma de foice, obstrução vascular, isquemia e necrose. Em criança, esse contexto clínico-radiológico é clássico para crise ou sequela osteoarticular da anemia falciforme. Aqui não é caso de inventar moda com nomes raros: o exame está descrevendo infarto ósseo. A alternativa D está correta justamente porque a anemia falciforme é uma causa frequente de infartos ósseos em crianças e adolescentes, podendo atingir vértebras e gerar dor lombar. Em provas, a banca costuma cobrar a associação entre dor óssea, lesões por isquemia e alterações de sinal na RM, especialmente quando há múltiplos níveis envolvidos. As demais opções não combinam com esse padrão. Vértebra em limbo é outra história radiológica, Charcot é artropatia destrutiva por perda de sensibilidade, osteogênese imperfeita dá fragilidade óssea e fraturas recorrentes, e fratura de Chance é trauma por flexão, geralmente em outro contexto clínico.