Paciente de 66 anos, masculino, com cardiopatia isquêmica (último infarto agudo do miocárdio há 1 ano), recebeu diagnóstico de carcinoma epidermoide de canal anal estadiamento TNM/AJCC 8a Ed. cT3 cN1 M0. O mesmo foi submetido ao tratamento com radioterapia concomitante à quimioterapia com mitomicina C e capecitabina. O re-estadiamento, com inspeção visual, toque retal, anuscopia e palpação de linfonodos inguinais, foi realizado 8 semanas após o término da radioterapia e mostrou doença persistente. Em relação à condução do caso clínico desse paciente, assinale a afirmativa correta.
- A)Não está indicada a cirurgia, uma vez que se trata de paciente com história relevante de cardiopatia isquêmica.
Errada, porque cardiopatia isquêmica não contraindica por si só a cirurgia de resgate se ela vier a ser necessária.
- B)O tratamento pode ser considerado subótimo, uma vez que, atualmente, a cisplatina é indicada no lugar da mitomicina C.
Errada, pois a mitomicina C segue sendo esquema clássico na quimiorradioterapia do carcinoma de canal anal; cisplatina não a substitui de rotina.
- C)Recomenda-se que a cirurgia seja realizada, idealmente, entre 8 a 12 semanas após o término da radioterapia com quimioterapia.
Errada, porque não se indica cirurgia de imediato após 8 a 12 semanas como regra; na ausência de progressão, costuma-se aguardar resposta tardia antes de operar.
- D)O re-estadiamento foi realizado de forma incompleta, uma vez que deveriam ter sido realizados também ressonância magnética da pelve e biópsia do tumor residual.
Errada, porque o reestadiamento inicial pode ser feito clinicamente com inspeção, toque retal, anuscopia e linfonodos inguinais; RM e biópsia não são obrigatórios nessa etapa se não houver dúvida de progressão.
- E)Uma vez que o tumor pode apresentar regressão gradual mesmo com 26 semanas após o início do tratamento, a conduta correta é reavaliar o paciente em 4 semanas.
Certa, porque a regressão tumoral pode continuar por várias semanas após o fim do tratamento, e a conduta é reavaliar após curto intervalo antes de definir falha terapêutica.
Gabarito: E
É por isso que o gabarito é a letra E. O raciocínio é clássico em oncologia do canal anal: resposta tardia é comum, e a decisão cirúrgica deve ser reservada para persistência definitiva ou progressão, não para um exame muito precoce. A cirurgia, quando indicada, costuma ser a resgate, em geral com amputação abdominoperineal.