Em relação ao lúpus neonatal, assinale a afirmativa correta.
- A)A lesão cardíaca fetal ocorre principalmente entre a 24ª e 32ª semana de gestação com a passagem trans-placentária de IgG devido a processo auto-imune materno.
Errada, porque a lesão cardíaca fetal associada ao lúpus neonatal costuma aparecer no segundo trimestre, especialmente entre 16 e 26 semanas, e não principalmente entre 24 e 32 semanas.
- B)Em mães com histórico de feto com lúpus neonatal, a chance de feto desenvolver o lúpus neonatal em gestação subsequente é de aproximadamente 80%.
Errada, porque o risco de recorrência após um filho previamente acometido aumenta bastante, mas fica em torno de 10% a 20%, e não 80%.
- C)Recomenda-se realizar ecocardiograma fetal mensalmente para se monitorizar o comprometimento cardíaco da 16ª a 32ª semana de gestação.
Errada, porque a monitorização fetal deve ser seriada no período de maior risco, mas a indicação de ecocardiograma mensal fixo da 16ª à 32ª semana não é a formulação mais correta.
- D)A probabilidade de mães com anticorpos anti-Ro e/ou anti-La terem fetos com bloqueio cardíaco congênito é de 1 a 2%.
Certa, porque gestantes com anticorpos anti-Ro e/ou anti-La têm risco baixo, cerca de 1% a 2%, de ter fetos com bloqueio cardíaco congênito.
- E)O tratamento com dexametasona ou betametasona associado à agonista-adrenérgico é eficaz em reverter o bloqueio cardíaco congênito, inclusive de 3º grau.
Errada, porque o bloqueio cardíaco congênito de 3º grau geralmente é irreversível e não costuma ser revertido por corticosteroides nem por agonistas adrenérgicos.
Gabarito: D
O lúpus neonatal não é lúpus da criança no sentido clássico: ele ocorre porque autoanticorpos maternos, principalmente anti-Ro/SSA e anti-La/SSB, atravessam a placenta e podem causar manifestações no feto e no recém-nascido. As mais lembradas são lesões cutâneas, alterações hematológicas, hepáticas e, a mais temida, o bloqueio atrioventricular congênito. O ponto-chave da questão é a epidemiologia do bloqueio cardíaco: em mães com anti-Ro e/ou anti-La, a chance de o feto desenvolver bloqueio cardíaco congênito é baixa, em torno de 1% a 2% na primeira gestação afetada. O risco aumenta bastante se já houve um filho previamente acometido, mas não chega a 80%, então a banca tentou exagerar para ver quem estava atento. Na prática, o acompanhamento fetal pode incluir ecocardiografia seriada entre 16 e 26/28 semanas, período em que o risco de surgimento do bloqueio é maior, mas a periodicidade mensal fixa não é uma regra universal de prova. E um detalhe importante: quando o bloqueio é completo (3º grau), ele geralmente não reverte com corticosteroide, beta-agonista ou outras medidas, o que torna a alternativa terapêutica da questão errada. Assim, a afirmativa correta é a que traz o risco de 1 a 2% para o bloqueio cardíaco congênito em mães com anti-Ro e/ou anti-La. É a clássica estatística de prova: pequena, mas muito cobrada.