A milrinona, inibidora da fosfodiesterase-3 dos cardiomiócitos, é a droga usada com frequência no pós-operatório de cirurgias cardíacas. Sobre ela, assinale a afirmativa correta.
- A)Promove aumento da pós-carga dos ventrículos direito e esquerdo.
Errada, porque a milrinona tende a reduzir a pós-carga ao causar vasodilatação, e não a aumentá-la.
- B)Ativa os receptores beta-1 no coração, aumentando de forma significativa a frequência cardíaca.
Errada, porque ela não ativa receptores beta-1; esse mecanismo é típico de catecolaminas como a dobutamina.
- C)Tem efeito inotrópico positivo no coração e vasodilatador periférico.
Certa, pois a inibição da PDE-3 aumenta AMPc, gerando inotropismo positivo e vasodilatação periférica.
- D)Promove elevação da resistência vascular pulmonar.
Errada, porque a milrinona costuma reduzir, e não elevar, a resistência vascular pulmonar.
- E)Induz tolerância, assim como as simpaticomiméticas.
Errada, porque a tolerância é problema típico de simpaticomiméticos, e a milrinona não age por esse mecanismo.
Gabarito: C
A milrinona é um inibidor da fosfodiesterase-3, o que leva a aumento de AMPc dentro das células do miocárdio e do músculo liso vascular. Traduzindo para a prática: ela faz o coração contrair com mais força e, ao mesmo tempo, relaxa os vasos, então melhora o débito cardíaco sem depender de ativação beta-adrenérgica. Por isso ela é muito usada no pós-operatório de cirurgia cardíaca, quando o coração pode estar “preguiçoso” e os vasos, mais contraídos. Esse perfil explica por que a droga tem efeito inotrópico positivo e vasodilatador periférico, inclusive com redução de pré-carga e pós-carga. Em alguns cenários, ela também ajuda a diminuir a resistência vascular pulmonar, o que é útil quando há disfunção de ventrículo direito ou hipertensão pulmonar associada. É uma droga bem conhecida da UTI: ajuda, mas exige atenção a hipotensão e arritmias. A alternativa C está correta exatamente por resumir esse duplo efeito. As demais tentam confundir você com mecanismos de outras classes, como beta-agonistas ou drogas que aumentam resistência vascular. Aqui a ideia central é simples: milrinona não estimula receptor beta-1, ela atua mais abaixo na cascata, e o resultado final é bomba mais eficiente e vasos mais relaxados.