A rejeição mediada por anticorpos (ABMR) é uma causa comum de perda do enxerto renal após o transplante, tendo-se uma abordagem terapêutica inicial que depende do momento do diagnóstico da mesma, sendo os pacientes com suspeita de ABMR ativa biopsiados e, uma vez confirmada, no primeiro ano pós-transplante, deve-se recomendar para seu tratamento, preferencialmente, as seguintes medidas:
- A)uma combinação de glicocorticoides, plasmaférese e imunoglobulina intravenosa, e, em alguns casos, rituximabe.
Correta, pois reúne o esquema preferencial inicial para ABMR ativa no primeiro ano: corticoide, plasmaférese e IVIG, com rituximabe em casos selecionados.
- B)hemodiálise e plasmaférese diária, 10 a 14 dias, associados ao corticoide em forma de pulsoterapia venosa.
Errada, porque hemodiálise não trata rejeição do enxerto e a plasmaférese não é feita como regra diária por 10 a 14 dias nesse formato.
- C)tratamento eletivo com corticoide, micofenolato e tacrolimo e adicionar basiliximabe, no mínimo, 7 dias.
Errada, pois isso descreve ajuste de imunossupressão ou prevenção, não o tratamento padrão da ABMR confirmada.
- D)iniciar pulsoterapia com corticoide, suspender micofenolato e converter tacrolimo para sirolimo.
Errada, porque suspender micofenolato e trocar tacrolimo por sirolimo não é a conduta preferencial para ABMR ativa.
- E)realizar, como medida de eleição, a transplantectomia de urgência e suspender a imunossupressão.
Errada, já que transplantectomia de urgência e suspensão da imunossupressão são medidas extremas, reservadas para cenários muito específicos, não para a abordagem inicial típica.
Gabarito: A
A rejeição mediada por anticorpos (ABMR) é uma das principais causas de perda do enxerto renal e costuma preocupar especialmente quando aparece cedo após o transplante. A lógica do tratamento, quando o diagnóstico é confirmado por biópsia no primeiro ano, é atacar o anticorpo circulante e o dano inflamatório no enxerto ao mesmo tempo. Por isso, a estratégia preferida costuma combinar glicocorticoides, plasmaférese e imunoglobulina intravenosa (IVIG), que ajudam a reduzir a carga de anticorpos e a modular a resposta imune. Quando o caso é mais grave ou refratário, alguns serviços associam rituximabe, que age contra linfócitos B e pode reduzir a produção de novos anticorpos. Em ABMR, o diagnóstico não é só “desconfiança clínica”: a biópsia é o passo-chave para confirmar a rejeição e direcionar o manejo. Isso é bem cobrado em prova, porque a banca gosta de misturar tratamento de rejeição com ajuste genérico de imunossupressão, e aí o candidato escorrega. O ponto central aqui é que, no primeiro ano pós-transplante, o tratamento preferencial da ABMR ativa é a tríade glicocorticoide + plasmaférese + IVIG, com rituximabe em alguns casos. Isso está alinhado com a prática nefrológica e com recomendações de sociedades especializadas em transplante, que usam essa combinação como base terapêutica inicial. Não existe aqui uma medida “milagrosa” única: o raciocínio é combinar terapias complementares. Então, se a questão fala em ABMR confirmada na biópsia e pede a conduta preferencial no primeiro ano, pense primeiro em remover anticorpos, bloquear o processo inflamatório e conter a produção futura deles. É exatamente por isso que a alternativa A está correta.