Assinale a opção que indica a condição caracterizada por fluxo diastólico reverso exacerbado nas veias hepáticas durante a expiração.
- A)Pericardite constrictiva.
Correta: a pericardite constrictiva causa limitação ao enchimento diastólico e pode produzir fluxo diastólico reverso nas veias hepáticas, mais evidente na expiração.
- B)Cardiomiopatia restritiva.
Errada: a cardiomiopatia restritiva afeta o miocárdio, mas não é o achado clássico associado a esse padrão respiratório do fluxo venoso hepático.
- C)Derrame pericárdio.
Errada: derrame pericárdico pode comprometer o enchimento cardíaco, mas o padrão descrito na questão é típico de constrição pericárdica, não de simples derrame.
- D)DPOC.
Errada: DPOC altera a mecânica respiratória e pode confundir a avaliação hemodinâmica, mas não é a condição clássica ligada a esse achado Doppler.
- E)Disfunção sistólica importante do VE.
Errada: disfunção sistólica importante do VE provoca baixo débito e congestão, mas não é a causa típica de reversão diastólica do fluxo nas veias hepáticas na expiração.
Gabarito: A
A pista da questão é hemodinâmica: o fluxo diastólico reverso nas veias hepáticas, especialmente durante a expiração, é um achado clássico de pericardite constrictiva. Nessa doença, o pericárdio fica rígido e “aperta” o coração, atrapalhando o enchimento diastólico, sobretudo do ventrículo direito. Na expiração, as variações de pressão intratorácica fazem esse bloqueio ficar mais evidente, e o Doppler mostra a inversão do fluxo nas veias hepáticas, que é quase um grito do pericárdio dizendo “eu não deixo o coração relaxar direito”. Esse achado ajuda muito na diferenciação com outras causas de insuficiência cardíaca diastólica, porque nem toda cardiomiopatia restritiva gera o mesmo padrão respiratório e venoso. Na pericardite constrictiva, o problema está na cápsula ao redor do coração, não no músculo em si. Por isso, os sinais clínicos e ecocardiográficos costumam apontar para uma limitação ao enchimento com grande dependência das mudanças respiratórias. Na prática, a banca costuma cobrar esse tipo de detalhe de Doppler como marcador de fisiologia. A ideia central é: se o pericárdio está rígido, o retorno venoso encontra dificuldade para entrar no coração durante a diástole e isso pode se refletir em reversão do fluxo nas veias hepáticas, sobretudo na expiração. Esse é um achado bastante sugestivo de pericardite constrictiva, reforçando o gabarito A.