As classificações morfológicas das lesões colônicas contribuem para predizer seu tipo histológico e para propor a adequada estratégia terapêutica. - Sobre as classificações de Kudo e NICE, suas correlações histológicas e implicações terapêuticas, analise as afirmativas a seguir. - I. As lesões com padrão de cripta tipo II da Classificação de Kudo correspondem a pólipos hiperplásicos ou a lesões sésseis serrilhadas; polipectomia ou mucosectomia a frio são excelentes opções terapêuticas para lesões de até 10 mm. II. As lesões classificadas como tipo 3 da classificação NICE estão associadas a invasão superficial da submucosa e podem ser ressecadas por mucosectomia a frio. III. As lesões com padrão de cripta tipo IV de Kudo estão associadas à invasão superficial da submucosa e tem indicação de ressecção por mucosectomia com alça diatérmica em lesões inferiores a 5 mm. - Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Certa, porque o padrão II de Kudo se associa a pólipos hiperplásicos e lesões sésseis serrilhadas, e lesões pequenas podem ser removidas com segurança por ressecção a frio.
- B)I e II, apenas.
Errada, porque a afirmativa II descreve incorretamente o NICE 3 como invasão superficial e ainda propõe mucosectomia a frio, o que não corresponde a esse padrão.
- C)I e III, apenas.
Errada, porque o tipo IV de Kudo não é o padrão típico de invasão superficial de submucosa nem define, por si, essa indicação terapêutica.
- D)II e III, apenas.
Errada, porque ambas as afirmativas II e III trazem correlações histológicas e condutas terapêuticas incompatíveis com as classificações endoscópicas.
- E)I, II e III.
Errada, porque somente a afirmativa I está correta; as afirmativas II e III apresentam erros de correlação entre padrão morfológico, histologia e tratamento.
Gabarito: A
As classificações de Kudo e NICE ajudam o endoscopista a olhar para a superfície da lesão e imaginar, antes da biópsia, se aquilo parece um pólipo benigno, uma lesão serrilhada ou algo com risco de invasão. É quase uma "leitura do relevo" da mucosa: quanto mais organizado e regular o padrão, mais perto de lesões não invasivas; quanto mais distorcido, maior a suspeita de câncer invasor. Na classificação de Kudo, o padrão de cripta tipo II se relaciona a pólipos hiperplásicos e a lesões sésseis serrilhadas. Para lesões pequenas, em geral até 10 mm, a ressecção a frio é uma estratégia muito boa, porque evita cauterização desnecessária e costuma ser segura e eficaz. Já o NICE tipo 3 não aponta para invasão superficial da submucosa, mas sim para invasão mais profunda e maior chance de câncer invasor. Por isso, não faz sentido tratá-la como lesão para mucosectomia a frio. A conduta costuma ser mais cautelosa e depende da profundidade da invasão e da possibilidade de ressecção endoscópica curativa. O tipo IV de Kudo também não é o marcador clássico de invasão submucosa. Ele se associa mais a adenomas, especialmente vilosos, e não justifica a ideia de ressecção com alça diatérmica em lesões menores que 5 mm como regra. Assim, a única afirmativa correta é a I, que alinha morfologia, histologia e terapia de forma adequada.