A lesão da porção ventral da ponte determina o aparecimento de sinais e sintomas conhecidos como
- A)locked-in syndrome.
Correta: a lesão ventral da ponte causa a síndrome do encarceramento, com consciência preservada e paralisia quase completa.
- B)catatonia.
Errada: catatonia é um síndrome psiquiátrico-motor, não a consequência típica de lesão pontina ventral.
- C)estado minimamente consciente.
Errada: estado minimamente consciente envolve alguma consciência e resposta, mas não é o quadro clássico de lesão ventral da ponte.
- D)estado vegetativo persistente.
Errada: no estado vegetativo há vigília sem consciência, diferente da síndrome do encarceramento, em que a consciência costuma estar preservada.
- E)abulia.
Errada: abulia é apatia e redução da iniciativa, geralmente por lesões frontais ou circuitos subcorticais, não por lesão ventral da ponte.
Gabarito: A
A ponte ventral, quando sofre uma lesão bilateral, corta as vias motoras descendentes que saem do cérebro em direção à medula, mas costuma poupar a formação reticular responsável pela vigília. O resultado é o chamado locked-in syndrome: a pessoa fica consciente, mas perde quase todos os movimentos voluntários e a fala, mantendo muitas vezes apenas movimentos oculares verticais e piscadas para se comunicar. É um quadro dramático, quase um "preso dentro do próprio corpo". Esse padrão é clássico em lesões da base da ponte, especialmente por infarto da artéria basilar. Por isso a alternativa A está correta: a lesão da porção ventral da ponte determina síndrome do encarceramento. Não é coma, não é desorientação, não é simples sonolência - é consciência preservada com enorme déficit motor. Para não confundir, pense assim: se a lesão fosse mais difusa ou envolvesse estruturas que mantêm o estado de alerta, você poderia ter rebaixamento da consciência ou estados como vegetativo. Mas aqui o problema principal é a passagem da ordem motora, não a consciência em si. Em neurologia, essa diferença é ouro de prova.