Na embolização de tumores de cabeça e pescoço, podem ocorrer complicações. Assinale a opção que indica a complicação que pode ocorrer quando se usa uma técnica excessivamente agressiva ou agentes emboligênicos inapropriados.
- A)Edema tumoral pós embolização.
Edema tumoral pós-embolização pode ocorrer como reação inflamatória, mas não é a complicação clássica causada por técnica excessivamente agressiva ou agente inapropriado.
- B)Lesão de nervo craniano na base do crânio.
Lesão de nervo craniano pode acontecer por proximidade anatômica, mas o enunciado aponta principalmente para dano isquêmico por embolização inadequada, e não para neuropatia como evento típico.
- C)Necrose facial de pele ou mucosa.
Correta: a embolização agressiva ou com agente inadequado pode desviar fluxo e causar isquemia de pele ou mucosa, levando a necrose facial.
- D)Sangramento facial.
Sangramento facial é o oposto do efeito esperado da embolização, que é justamente reduzir o fluxo e controlar a hemorragia.
- E)Devascularização tumoral pré-operatória.
Devascularização tumoral pré-operatória é o objetivo da embolização, não uma complicação, então não pode ser a resposta.
Gabarito: C
Na embolização de tumores de cabeça e pescoço, o objetivo é reduzir o fluxo sanguíneo da lesão antes de cirurgia ou para controle de sangramento. Parece simples, mas é um procedimento delicado: se a embolização for agressiva demais ou se o agente emboligênico for inadequado, o material pode atingir tecidos saudáveis e causar isquemia fora do alvo. É justamente aí que mora a complicação mais clássica cobrada em prova: necrose facial de pele ou mucosa. Isso acontece porque a região da face e da cavidade oral tem vascularização rica e conexões com ramos que irrigam pele, mucosa e estruturas nobres. Se o embolizante entra onde não deve, o tecido “fica sem comida e sem oxigênio” e necrosa. As demais complicações podem existir em embolizações, mas não são a marca típica da técnica excessivamente agressiva descrita no enunciado. A FGV costuma cobrar esse raciocínio de efeito colateral por isquemia tecidual, sobretudo quando há uso de partículas muito pequenas, refluxo do material ou seleção ruim do vaso-alvo. Em termos doutrinários de radiologia intervencionista, a regra prática é: embolizar de forma seletiva, com escolha cuidadosa do território e do agente, para evitar isquemia não intencional. Em prova, quando aparecer lesão por embolização exagerada na cabeça e pescoço, pense primeiro em necrose de pele ou mucosa.