Mulher de 70 anos, caucasiana, IMC de 21Kg/m2, perímetro de panturrilha de 31 cm. Apresenta aumento da cifose torácica tendo o Rx de tórax vertebras torácicas com fratura em cunha anterior, osteófitos e hiperinsuflação pulmonar (tabagista desde os 20 anos). Relata que sua mãe faleceu após uma queda e fratura de quadril. Laboratório mostra dosagem de 25 (OH)D de 29 ng/mL. Frente ao quadro, você
- A)pede uma densitometria óssea para fazer diagnóstico de osteoporose.
Errada, porque a densitometria não é necessária para diagnosticar osteoporose quando já há fratura vertebral por fragilidade.
- B)solicita marcadores séricos de reabsorção óssea.
Errada, porque marcadores de reabsorção óssea não são exame de confirmação diagnóstica nem mudam a conduta inicial aqui.
- C)inicia reposição de 50.000 IU de vitamina D por 4 meses.
Errada, porque 50.000 UI por 4 meses é esquema excessivo para uma 25(OH)D de 29 ng/mL, que indica insuficiência leve e não deficiência grave.
- D)inicia reposição de vit D 800UI/dia associado a carbonato de cálcio 400 mg/dia.
Errada, porque apenas cálcio e baixa dose de vitamina D não tratam adequadamente uma paciente com osteoporose já manifesta e fratura por fragilidade.
- E)inicia carbonato de cálcio 1000mg/dia, vit D 2000 UI/dia e bifosfonato 70 mg/semana.
Certa, porque há osteoporose clínica com fratura vertebral por fragilidade e alto risco de novas fraturas, exigindo cálcio, vitamina D e bifosfonato.
Gabarito: E
Nesta questão, o ponto central é perceber que a paciente já tem um diagnóstico clínico de osteoporose, mesmo sem densitometria. Fratura vertebral em cunha por fragilidade, em uma mulher de 70 anos, baixa IMC, tabagista, com história materna de fratura de quadril e cifose progressiva, praticamente acende a luz vermelha do risco ósseo. Em concurso, isso é clássico: não espere o osso "pedir exame" quando ele já quebrou por fragilidade. A densitometria ajuda a quantificar a perda óssea, mas não é obrigatória para confirmar osteoporose quando já existe fratura por baixo impacto em idosa. A 25(OH)D de 29 ng/mL sugere insuficiência leve, mas não é deficiência grave a ponto de justificar carga alta de vitamina D por meses. Também não faz sentido começar só com medidas parciais quando o risco de nova fratura é alto. O tratamento inicial deve incluir cálcio, vitamina D e um anti-reabsortivo, como o bifosfonato, desde que não haja contraindicação. O carbonato de cálcio 1000 mg/dia fornece suporte mineral, a vitamina D 2000 UI/dia corrige a insuficiência e ajuda na absorção de cálcio, e o bifosfonato 70 mg/semana reduz o risco de novas fraturas vertebrais e de quadril. É o pacote completo que a geriatria gosta: prevenir a próxima queda antes que ela vire próxima fratura. Em termos práticos, a fratura vertebral por fragilidade já fecha o diagnóstico e justifica tratamento farmacológico. A densitometria pode até ser solicitada para seguimento, mas não para adiar a terapêutica em uma paciente de alto risco.