A respeito das neoplasias hepáticas em crianças, é incorreto afirmar que
- A)a maioria dos tumores hepáticos malignos primários do fígado são hepatoblastomas.
Certa: a maioria dos tumores hepáticos malignos primários na infância é mesmo hepatoblastoma.
- B)o hepatoblastoma ocorre em crianças menores e o hepatocarcinoma tem o pico de incidência na adolescência.
Certa: o hepatoblastoma é típico de crianças menores, e o hepatocarcinoma aparece mais tarde, com pico na adolescência.
- C)nos hepatoblastomas as influências genéticas são particularmente importantes, enquanto nos hepatocarcinomas os fatores ambientais e a existência de doença hepática de base estão ligados à sua etiologia.
Certa: no hepatoblastoma, fatores genéticos ganham destaque, enquanto no hepatocarcinoma pesam mais doença hepática de base e influências ambientais.
- D)o nível sérico de alfafetoproteína é altamente específico, apesar de pouco sensível.
Errada: a AFP não é altamente específica; ela é um marcador útil, mas com especificidade limitada e sensibilidade variável.
- E)os sinais e sintomas mais comuns são palpação de massa abdominal, distensão abdominal, anorexia com perda de peso, dor abdominal e vômitos.
Certa: massa abdominal, distensão, anorexia com perda de peso, dor abdominal e vômitos são achados clínicos frequentes.
Gabarito: D
As neoplasias hepáticas na infância têm um comportamento bem diferente do que se vê no adulto. O tumor maligno primário mais comum no fígado da criança é o hepatoblastoma, que costuma aparecer em crianças menores, enquanto o hepatocarcinoma é mais raro nessa faixa etária e tende a surgir mais tarde, inclusive na adolescência. Em geral, o quadro clínico é pouco específico: a criança pode ter massa abdominal palpável, distensão, dor, anorexia, perda de peso e vômitos, ou seja, sintomas que facilmente confundem o diagnóstico no início. Um ponto muito cobrado é a alfafetoproteína (AFP). Ela ajuda bastante na avaliação e no seguimento, porque costuma estar elevada em muitos casos de hepatoblastoma e também em alguns hepatocarcinomas. Só que ela não é um marcador "quase perfeito": não é altamente específica, porque pode aumentar em outras situações, e também não é totalmente sensível, porque nem todo tumor vai elevá-la. Então, quando a questão tenta vender a AFP como um exame altamente específico, ela escorrega feio. A alternativa incorreta é a D exatamente por isso. O raciocínio correto é o inverso do que a frase sugere: a AFP é um marcador útil, mas com limitações importantes de especificidade e sensibilidade. Em prova, pense nela como uma pista valiosa, não como sentença definitiva. Em resumo: hepatoblastoma predomina nas crianças pequenas, hepatocarcinoma é mais ligado à faixa etária maior e a doenças hepáticas de base, e a AFP é ferramenta de apoio, não teste absoluto.