Sobre as complicações da papilotomia endoscópica, analise as afirmativas a seguir. - I. A maioria das perfurações relacionadas a esfincterotomia tem resolução com medidas conservadoras, sem intervenção cirúrgica. Dentre as opções endoscópicas para fechamento da perfuração estão: o fechamento com clip associado à drenagem nasobiliar e a colocação de prótese metálica autoexpansível completamente recoberta. II. A maioria dos casos de hemorragia que necessita de intervenção tem excelente resposta à injeção de solução de adrenalina em diluição 1:10.000. III. São fatores de risco independentes para a ocorrência de pancreatite: idade jovem, sexo feminino, bilirrubina normal, disfunção do esfíncter de Oddi, ausência de pancreatite crônica. - Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Esta alternativa afirma que apenas a afirmativa I está correta, ou seja, que as perfurações por esfincterotomia costumam ser controladas sem cirurgia e podem ser fechadas por clip, drenagem nasobiliar ou prótese metálica totalmente recoberta. Isso é verdade, mas a opção fica incompleta porque também estão corretas as afirmativas II e III, que trazem o padrão clássico de hemostasia com adrenalina 1:10.000 e os fatores de risco reconhecidos para pancreatite pós-CPRE. Portanto, o erro está em excluir proposições que a literatura considera verdadeiras.
- B)I e II, apenas.
Aqui se sustenta que I e II estão corretas, excluindo a III. As duas primeiras realmente correspondem ao manejo das complicações da papilotomia: perfurações pequenas ou periampulares muitas vezes evoluem bem com tratamento conservador e/ou endoscópico, e o sangramento pós-esfincterotomia responde com frequência à injeção de adrenalina diluída 1:10.000. O problema é que a III também descreve fatores de risco clássicos de pancreatite pós-CPRE, como sexo feminino, idade jovem, bilirrubina normal, suspeita de disfunção do esfíncter de Oddi e ausência de pancreatite crônica.
- C)I e III, apenas.
Esta alternativa admite I e III, deixando de fora a II. A afirmativa I está adequada porque muitas perfurações relacionadas à esfincterotomia podem ser tratadas sem laparotomia, com suporte clínico e recursos endoscópicos como clip e stent metálico totalmente recoberto; a III também está correta por listar fatores de risco bem estabelecidos para pancreatite pós-CPRE. O erro é retirar a II, já que a adrenalina 1:10.000 é uma medida hemostática consagrada e costuma controlar a maior parte dos sangramentos que exigem intervenção.
- D)II e III, apenas.
A opção propõe que II e III estão corretas, afastando a I. De fato, a hemorragia pós-papilotomia costuma responder muito bem à adrenalina em diluição 1:10.000, e os fatores de risco da III são reconhecidos na pancreatite pós-CPRE. Porém, a I também está de acordo com a prática: muitas perfurações associadas à esfincterotomia, sobretudo as pequenas e periampulares, resolvem com medidas conservadoras e, quando necessário, com fechamento endoscópico por clip, drenagem ou prótese recoberta.
- E)I, II e III.
Esta é a alternativa correta porque as três afirmativas descrevem condutas e fatores de risco reconhecidos nas complicações da papilotomia endoscópica. As perfurações pós-esfincterotomia frequentemente têm manejo não operatório e podem ser abordadas endoscopicamente; o sangramento que exige tratamento costuma responder à adrenalina 1:10.000; e os fatores citados na III são clássicos para pancreatite pós-CPRE, especialmente em pacientes jovens, mulheres, com bilirrubina normal, suspeita de disfunção do esfíncter de Oddi e sem pancreatite crônica.
Gabarito: E
A papilotomia endoscópica, também chamada de esfincterotomia endoscópica, é um procedimento muito útil na via biliar, mas não vem sozinha: ela pode trazer complicações como perfuração, sangramento e pancreatite. A boa notícia é que muitas perfurações pequenas, sobretudo as relacionadas à esfincterotomia, podem ser manejadas de forma conservadora, com jejum, antibiótico, drenagem e observação, e em alguns casos o endoscopista ainda consegue fechar a lesão com clip, associar drenagem nasobiliar ou usar prótese metálica autoexpansível totalmente recoberta.