Uma menina de 4 anos é atendida na emergência pediátrica com início há 4 dias de mal-estar, odinofagia discreta e febre de 38º C. Evoluiu com recusa alimentar e prostração nas últimas 24 horas. Acompanhante refere que a criança recebeu apenas as vacinas de BCG e hepatite B. Ao exame paciente apresentava-se toxêmica, hipocorada, desidratada e taquicárdica. Orofaringe: presença de pseudo-membrana branco acinzentada intensamente aderida aos tecidos subjacentes que se estendia afetando úvula e palato mole. As complicações mais comumente associadas ao quadro clínico são:
- A)glomerulonefrite difusa aguda e febre reumática.
Errada, porque glomerulonefrite difusa aguda e febre reumática são complicações clássicas do Streptococcus pyogenes, não da difteria.
- B)encefalite e neurite periférica.
Errada, porque encefalite pode ocorrer em vários contextos infecciosos, mas não é a associação clássica mais cobrada na difteria.
- C)miocardite e neurite periférica.
Certa, pois a toxina diftérica causa principalmente miocardite e neurite periférica.
- D)glomerulonefrite difusa aguda e encefalite.
Errada, porque glomerulonefrite difusa aguda não é complicação típica da difteria, apesar de encefalite poder aparecer em infecções diferentes.
- E)febre reumática e miocardite.
Errada, porque febre reumática é complicação imunológica pós-estreptocócica, e não da difteria.
Gabarito: C
O quadro descreve difteria, uma infecção toxigênica por Corynebacterium diphtheriae. A pista clássica é a pseudomembrana branco-acinzentada, bem aderida, em uma criança não vacinada ou com vacinação incompleta. Aqui, a ausência de imunização adequada abriu a porta para o quadro clássico de emergência infecciosa. A toxina diftérica não fica só na garganta: ela pode cair na circulação e atingir principalmente o coração e os nervos periféricos. Por isso, as complicações mais lembradas são miocardite e neurite periférica, que explicam arritmias, insuficiência cardíaca e déficits neurológicos. A banca gosta de cobrar exatamente esse ponto: em difteria, pense primeiro em toxina e em lesão cardíaca e neurológica, e não em complicações poststreptocócicas como glomerulonefrite ou febre reumática.