Paciente 30 anos é internada com dor no hipocôndrio direito e febre, quadro que teve início há 3 dias. Há suspeita de se tratar de uma colecistite aguda. É submetida a laparoscopia de urgência e observa-se a presença de aderências entre o fígado e o diafragma em forma de “cordas de violino”; vesícula biliar sem alterações. Sobre esse achado na laparoscopia associado a clínica da paciente podemos suspeitar que se trata de
- A)Mesotelioma maligno.
Mesotelioma maligno pode acometer peritônio, mas não explica o padrão clínico agudo nem as aderências em “cordas de violino”.
- B)Fibrose peritoneal idiopática.
Fibrose peritoneal idiopática não tem relação com esse achado laparoscópico característico nem com o quadro infeccioso descrito.
- C)Paniculite mesentérica.
Paniculite mesentérica envolve inflamação do tecido gorduroso do mesentério, não perihepatite com aderências hepato-diafragmáticas.
- D)Síndrome de Fitz Hugh Curtis.
Correta: é o quadro clássico de perihepatite associada à doença inflamatória pélvica, com aderências em “cordas de violino”.
- E)Síndrome de Pseudomixoma peritoneal.
Pseudomixoma peritoneal cursa com acúmulo de muco no peritônio, geralmente ligado a neoplasias mucinosas, e não com esse achado típico.
Gabarito: D
A pista clássica aqui é a laparoscopia com aderências entre fígado e diafragma em “cordas de violino”. Isso é praticamente a assinatura da síndrome de Fitz-Hugh-Curtis, uma perihepatite inflamatória associada, na maioria das vezes, à doença inflamatória pélvica por infecção ascendente, especialmente por Chlamydia trachomatis ou Neisseria gonorrhoeae. Na prática, a paciente pode chegar com dor em hipocôndrio direito, febre e quadro que parece colecistite, mas a vesícula está normal, porque o problema não é biliar, e sim inflamatório peritoneal. O nome da síndrome costuma assustar, mas o mecanismo é bem lógico: a infecção pélvica “sobe” e causa inflamação da cápsula hepática e da superfície peritoneal próxima ao fígado. Por isso, na laparoscopia, aparecem essas aderências finas, que lembram cordas de violino. É um achado bem característico e muito cobrado em prova, porque a clínica engana e faz o aluno pensar primeiro em colecistite aguda. Então, o gabarito é a alternativa D. Não é uma doença do fígado em si, nem da vesícula, mas uma complicação inflamatória de infecção genital alta. Se a questão falar em mulher jovem, dor em hipocôndrio direito, febre e laparoscopia com “cordas de violino”, acenda o alerta para essa síndrome. Em resumo: dor no quadrante superior direito + sinais de DIP + laparoscopia típica = pense em Fitz-Hugh-Curtis. A vesícula sem alterações é justamente o detalhe que desmonta a hipótese de colecistite.