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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente homem, 23 anos, foi submetido à troca valvar mitral metálica devido à estenose mitral grave de etiologia reumática. Após 6 meses da intervenção, evolui com quadro de dispneia aos pequenos esforços e dispneia paroxística noturna. Nega edema de membros inferiores, febre, hemoptise ou qualquer outro sinal ou sintoma. Relata uso irregular de cumarínicos. Na ausculta cardiovascular, nota-se click metálico inaudível, P2>A2, sem sopros. Eletrocardiograma de admissão demonstrando duração aumentada da onda P. Ecocardiograma com reconstrução 3D demonstra imagem de densidade aumentada, em face atrial da valva mitral, medindo 0,8 x 0,5 cm, com regurgitação mitral moderada a grave. Optado por internação do paciente e, durante investigação, hemoculturas se encontram negativas em andamento. Sobre o caso descrito, a suspeita diagnóstica mais provável é

Gabarito: D

Em paciente com prótese valvar mecânica, piora de dispneia + click metálico inaudível acendem um alerta clássico de obstrução da prótese. Quando isso acontece poucos meses após a cirurgia e ainda há uso irregular de cumarínico, a primeira suspeita é trombose de prótese, porque a anticoagulação inadequada favorece a formação de trombo sobre a valva. O ecocardiograma mostrando massa na face atrial da valva mitral, com regurgitação importante, também combina bem com esse cenário: a prótese pode ficar parcialmente travada ou deixar de abrir/fechar direito, causando sintomas de congestão pulmonar, como dispneia aos pequenos esforços e dispneia paroxística noturna. O exame físico ajuda bastante: o click metálico inaudível sugere que a prótese não está funcionando livremente. Além disso, o ECG com onda P aumentada aponta sobrecarga de átrio esquerdo, o que conversa com a repercussão hemodinâmica da obstrução valvar. Hemoculturas negativas em andamento reduzem a chance de endocardite infecciosa, embora não a zere de forma absoluta no início da investigação. Pannus valvar é uma possibilidade real em prótese mecânica, mas costuma ser um processo mais lento, fibroproliferativo e menos ligado a anticoagulação irregular. Em termos práticos de prova, evento precoce após a cirurgia + anticoagulação ruim + massa sobre a prótese = pense primeiro em trombose. É o tipo de associação que a banca gosta: ela mistura clínica, imagem e fisiopatologia para ver se você não cai na tentação do "qualquer massa em prótese é infecção". Então, o gabarito D está correto porque o quadro é mais compatível com trombose de prótese mecânica mitral, e não com tumor, vegetação bacteriana ou pannus.

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