Paciente de 68 anos, feminina, procurou atendimento médico especializado, devido à dor e ao sangramento retal, prurido e corrimento anal mucoso. O exame proctológico demonstrou tumoração endurecida com aproximadamente 3,0cm no maior diâmetro, ulcerada, dolorosa e sangrante ao toque. Foi realizado biópsia que confirmou tratar-se de carcinoma epidermoide. Das opções abaixo, assinale a que representa a melhor conduta terapêutica.
- A)Radioterapia local exclusiva.
Errada, porque radioterapia isolada é inferior ao tratamento combinado e não é a conduta padrão para carcinoma epidermoide anal.
- B)Excisão local com margem de 1,0cm.
Errada, porque excisão local com margem de 1 cm não é a abordagem usual para esse tipo de tumor, salvo situações muito selecionadas e iniciais.
- C)Radioterapia local associada a quimioterapia.
Certa, porque o carcinoma epidermoide do canal anal é tratado preferencialmente com quimioterapia associada à radioterapia, preservando função e melhorando controle local.
- D)Excisão local com margem de 1,0cm e quimioterapia.
Errada, porque a excisão local não é o tratamento de escolha e a quimioterapia isolada junto com cirurgia não substitui o esquema padrão com radioterapia.
- E)Excisão local com margem de 1,0cm, quimioterapia e radioterapia.
Errada, porque somar cirurgia, quimioterapia e radioterapia de rotina aumenta agressividade sem ser a conduta padrão inicial para esse câncer.
Gabarito: C
O carcinoma epidermoide do canal anal, especialmente em lesões como a descrita (dolorosa, sangrante, ulcerada e confirmada por biópsia), tem tratamento de escolha conservador do esfíncter quando possível. Aqui entra o famoso esquema combinado de radioterapia com quimioterapia, porque o objetivo não é sair cortando tudo de cara, e sim controlar o tumor preservando função anal e reduzindo recidiva local. Na prática, a associação de radioterapia com quimioterapia é o padrão para a maioria dos carcinomas epidermoides do canal anal. O raciocínio é simples: a radioterapia trata o campo tumoral e a quimioterapia funciona como radiossensibilizante, aumentando a eficácia do tratamento local. Isso costuma ser preferível à cirurgia inicial, que fica reservada para casos muito pequenos, superficiais ou para resgate em doença persistente/recidivada. Por isso, a letra C está correta: radioterapia local associada a quimioterapia. Em prova, quando a banca fala em carcinoma epidermoide anal, acenda o alerta de tratamento combinado, e não de ressecção ampla. É aquele tipo de tumor em que o bisturi não é o protagonista da primeira cena. Em linhas gerais, a conduta clássica vem da abordagem oncológica consolidada para câncer do canal anal, com quimiorradioterapia como tratamento inicial na maioria dos casos, deixando a cirurgia para situações selecionadas. Essa é a lógica que costuma aparecer em diretrizes e é a base cobrada em prova.